Novo líder chinês faz alerta se corrupção não for combatida

Se a corrupção se disseminar na China, o Partido Comunista corre o risco de enfrentar distúrbios e ver seu regime desmoronar, disse o líder partidário Xi Jinping em um dos seus primeiros compromissos importantes no cargo, segundo relato da imprensa estatal.

Reuters

19 de novembro de 2012 | 09h33

Usando termos excepcionalmente diretos, o vice-presidente Xi, que deve assumir a Presidência em março de 2013, comparou a corrupção a "vermes se proliferando na matéria em decomposição" -- alusão a um antigo provérbio chinês, segundo o qual a ruína recai sobre os mais fracos.

"Nos últimos anos, alguns países acumularam problemas ao longo do tempo, levando a uma efervescente indignação popular, inquietação civil e colapso governamental -- a corrupção tem sido um fator importante em tudo isso", disse Xi numa sessão de estudos do Politburo, o segundo mais importante órgão decisório do Partido Comunista, segundo jornais estatais.

"Muitos fatos nos dizem que, conforme a corrupção piora, o único resultado será o fim do partido e o fim do Estado! Devemos ser vigilantes!", acrescentou Xi.

"Recentemente, nosso partido teve sérios casos jurídicos e de disciplina de natureza desprezível, os quais tiveram um efeito político ruim e chocaram as pessoas", afirmou, sem citar tais incidentes.

Os meses que antecederam ao recente congresso partidário que aclamou uma nova geração de líderes chineses foram marcados por um escândalo envolvendo o ex-dirigente regional Bo Xilai, outrora cotado para assumir um cargo nacional de primeiro escalão.

Bo foi expulso do partido e pode ser processado por corrupção e abuso de poder, e sua mulher cumpre pena pelo assassinato de um empresário britânico.

Xi disse que os membros do partido, especialmente seus dirigentes, não devem abusar dos seus cargos para obterem ganhos pessoais, e não estão acima da lei.

As autoridades "devem reforçar sua gestão e seu controle sobre suas relações e aqueles que trabalham com ele", acrescentou Xi.

O jornal The New York Times disse no mês passado que a família do primeiro-ministro Wen Jiabao acumulou 2,7 bilhões de dólares em "riquezas ocultas", notícia que o regime chinês qualificou de caluniosa.

No entanto, sem um Judiciário independente, esforços para combater a corrupção quase certamente fracassarão, e o partido, obcecado por ter o controle, não dá sinais de que poderá adotar reformas nesse campo.

(Reportagem de Ben Blanchard)

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