Novo líder chinês rejeita denúncia de cyberataque

Li Keqiang pede construção de 'um novo tipo de relação' com os EUA e adota tom amigável nas primeiras declarações sobre os laços bilaterais

CLÁUDIA TREVISAN , CORRESPONDENTE / PEQUIM, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2013 | 02h09

O novo primeiro-ministro da China, Li Keqiang, disse ontem que pretende trabalhar com o presidente Barack Obama para construir "um novo tipo de relação" com os EUA, ao mesmo tempo em que rejeitou as acusações de Washington de que é vítima de cyberataques vindos do país asiático.

"Nós não deveríamos fazer acusações infundadas um contra o outro, mas dedicar mais tempo realizando ações concretas que vão contribuir para a segurança cibernética", afirmou o líder comunista.

O tom amigável marcou suas declarações em relação aos Estados Unidos, a potência constituída que tenta acomodar a rápida ascensão da China no cenário global. Os dois países protagonizam a mais importante relação bilateral do planeta e se enfrentam em uma série de questões, que vão do comércio ao aumento da presença americana na Ásia, que Pequim vê como uma tentativa de contenção de seu poder. O caráter conciliador do discurso de Li Keqiang coincidiu com a aparente revisão da política do "eixo" asiático que marcou a gestão da ex-secretária de Estado Hillary Clinton e previa o aumento da presença militar americana na região.

O sucessor de Hillary, John Kerry, adotou uma posição cautelosa em relação ao tema na audiência de confirmação de seu nome no Congresso e declarou que não estava convencido da necessidade de expansão militar exigida pela política de Hillary.

"A China e os Estados Unidos deveriam ter sólidas interações na região Ásia-Pacífico, e começando por aí nós podemos construir um novo tipo de relacionamento", sugeriu Li Keqiang na primeira entrevista coletiva desde sua nomeação para o cargo, na sexta-feira.

O líder comunista tentou apaziguar os temores gerados pela política externa mais assertiva da China, principalmente em relação a vizinhos com os quais o país tem disputas territoriais.

"Mesmo que a China se torne mais forte, nós não vamos buscar hegemonia", ressaltou. "Nós aprendemos com nossa própria experiência amarga na era moderna que um não pode impor aos outros o que não quer para si mesmo", disse, em referência ao período em que a China foi ocupada por potências estrangeiras, a partir de meados do século 19.

Mas, ao mesmo tempo, alertou que a China tem uma determinação "inabalável de proteger a soberania e a integridade territorial do país".

Antes da entrevista de Li Keqiang, o novo presidente, Xi Jinping, encerrou o encontro anual do Congresso Nacional do Povo com um discurso no qual defendeu "o grande renascimento da nação chinesa". O slogan é uma referência oblíqua ao status de maior economia do mundo que a China tinha até o século 19, quando a Guerra do Ópio (1839-1842) deu início ao que é conhecido no país como "século de humilhação".

Xi Jinping ressaltou que não pretende seguir modelos políticos externos. "Para realizar o sonho chinês, nós temos de adotar o caminho chinês." O presidente voltou a enfatizar a necessidade de combater a corrupção, um dos principais problemas que ameaçam a credibilidade do Partido Comunista. "Nós temos de combater de maneira resoluta o formalismo, o burocratismo, o hedonismo e a extravagância", declarou.

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