Novo líder comandará a Coreia do Norte com ajuda de militares e tios

Segundo fonte, não há risco de golpe, pois Exército jurou lealdade a Kim Jong-un

22 de dezembro de 2011 | 01h25

SEUL - O novo líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, terá de dividir o poder com um tio e com os militares, o que significa que o regime comunista terá um comando coletivo depois da morte de Kim Jong-il, disse ontem à agência Reuters uma fonte que mantém estreitas ligações com os governos da Coreia do Norte e da China.

A fonte não quis ser identificada, mas já previu corretamente eventos anteriores - foi quem revelou à Reuters que a Coreia do Norte testaria sua primeira arma nuclear em 2006, como de fato ocorreu.

Kim Jong-un, de 29 anos, sucederá a seu pai como parte de uma dinastia familiar comunista que dirige a Coreia do Norte desde a fundação do país, na década de 40. Kim morreu no sábado, mas a morte só foi anunciada na segunda-feira. A fonte qualificou de "muito improvável" a hipótese de um golpe militar. "Os militares juraram obediência a Kim Jong-un", acrescentou.

A liderança coletiva, segundo a fonte, incluirá Jang Song-thaek, de 65 anos, e a mulher dele, Kim Kyong-hui, irmã de Kim Jong-il. Em 2009, Jang foi nomeado para a Comissão Nacional de Defesa, um órgão de alto escalão que Kim Jong-il dirigia na qualidade de comandante do militarizado Estado norte-coreano. Na segunda-feira, antes do anúncio da morte de Kim, a Coreia do Norte testou um míssil de curto alcance o que, segundo a fonte, foi feito como um alerta aos EUA. "A Coreia (do Norte) quis passar a mensagem de que tem a capacidade de se proteger sozinha", disse a fonte. "Mas dificilmente a Coreia conduzirá um teste nuclear no futuro próximo, a não ser se for provocada."

O programa nuclear norte-coreano é motivo de tensões na comunidade internacional. O país testou uma bomba em 2006 e 2009, e abandonou negociações com EUA, China, Japão, Rússia e Coreia do Sul, que ofereciam benefícios políticos e econômicos em troca do fim do programa de armas nucleares norte-coreano.

A China, principal aliada da Coreia do Norte, convidou na terça-feira o novo líder norte-coreano a fazer uma visita. O presidente Hu Jintao e seu vice, Xi Jinping, prestaram condolências na embaixada norte-coreana em Pequim.

O governo chinês pressiona Pyongyang a abrir mão das armas nucleares, e a fonte disse que o país aceitaria isso, sob a condição de que seja assinado um armistício envolvendo EUA, China e as duas Coreias, para substituir o cessar-fogo que encerrou a Guerra da Coreia (1950-53).

Aproximação. Ainda ontem, EUA e Coreia do Sul adotaram uma cautelosa abertura para com a Coreia do Norte. Seul autorizou civis e empresas privadas a enviarem condolências pela morte de Kim Jong-il e o Departamento de Estado disse que diplomatas americanos se reuniram com representantes norte-coreanos na ONU para retomar o diálogo. Os EUA negociavam o envio de ajuda alimentar à Coreia do Norte em troca da suspensão do programa nuclear. / REUTERS e AP

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