Novo líder defendeu ação do Irã para conter radicais

Nomeado pelo presidente iraquiano, Abadi diz que Iraque precisa evitar ser arrastado para guerra sectária que o Isil deseja

ADAM TAYLOR , THE WASHINGTON POST, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2014 | 02h01

O presidente do Iraque, o curdo Fuad Massum, nomeou ontem Haider al-Abadi novo primeiro-ministro do país. A nomeação surgiu em meio a especulações de que o atual premiê, Nuri al-Maliki, se agarraria ao poder mesmo depois de seu país ter mergulhado no caos e os EUA terem deixado claro que não o apoiariam mais como líder.

Nascido em Bagdá, em 1952, Abadi formou-se na Universidade de Bagdá. Depois, fez doutorado na Universidade de Manchester, na Grã-Bretanha, país onde viveu por muitos anos após sua família tornar-se perseguida pelo regime de Saddam Hussein.

Formado em engenharia elétrica, ele entrou para a política após a invasão do Iraque, em 2003. Tornou-se ministro das Comunicações no Conselho de Governo iraquiano, em setembro daquele ano, e, depois, foi um importante conselheiro do premiê Maliki no primeiro governo eleito no Iraque após a invasão. Há apenas algumas semanas, ele foi escolhido vice-presidente do Parlamento e considerado um pretendente ao cargo de premiê.

A grande questão, porém, é se Abadi será capaz de vencer os desafios com maior êxito do que Maliki. Assim como seu antecessor, ele é xiita e também fez parte da coalizão do premiê. Uma das principais críticas a Maliki foi a de que ele consolidou a política sectária no Iraque, enchendo o governo de políticos xiitas e limitando o poder de sunitas e curdos.

Em junho, Abadi deu uma entrevista a Mehdi Hassan, do Huffington Post, na qual discutiu a possibilidade de uma intervenção iraniana na luta contra o Estado Islâmico no Iraque e no Levante (Isil, na sigla em inglês), o grupo extremista sunita que assumiu o controle de vastas porções do Iraque.

"Estamos esperando os americanos nos apoiarem", disse. "Se os ataques aéreos americanos (ocorrerem), não precisaremos de ataques iranianos." Abadi também divergiu em alguns pontos da comunidade curda do Iraque. No ano passado, ele alertou que uma disputa sobre as exportações de petróleo do Curdistão iraquiano poderia levar à "desintegração" do país, e também foi criticado por políticos curdos durante as negociações sobre o orçamento de 2013.

No entanto, Abadi não parece ter consciência de que o governo e as forças de segurança iraquianas cometeram sérios erros no atual conflito. Ele disse a Hassan que o governo iraquiano precisa ouvir as histórias de "excessos" das forças de segurança para decidir como responder. Ele disse ainda que o Iraque precisava evitar de ser arrastado para o tipo de guerra que o Isil deseja.

"Precisamos ter o cuidado para não nos envolvermos numa guerra sectária", disse. "Xiitas não são contra sunitas e sunitas não são contra xiitas." Ontem, Massum estava confiante de que Abadi poderia liderar o país. "Agora, o povo iraquiano está em suas mãos", disse ele, ao apertar a mão de Abadi. Agora, o Iraque espera para ver se Maliki concordará. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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