Novo líder japonês tem fortes vínculos com o Brasil

Aso, que morou no País nos anos 60, dirige grupo que une parlamentares japoneses e brasileiros

Cláudia Trevisan, O Estado de S. Paulo

24 de setembro de 2008 | 07h28

A previsível eleição de Taro Aso como primeiro-ministro do Japão é uma boa notícia para o Brasil e a comunidade de imigrantes brasileiros que vive no país asiático. Aso morou por um ano em São Paulo nos anos 60 e é um ativo defensor do fortalecimento das relações entre os dois países, além de ser visto como um aliado dos 320 mil dekasseguis no Japão. Como deputado, Aso dirige o Grupo Parlamentar Brasil-Japão e é presidente honorário do Comitê Executivo do Ano de Intercâmbio Japão-Brasil, celebrado em 2008 para marcar o centenário da imigração japonesa para o Brasil. Aso esteve no Brasil em 2007, quando era ministro das Relações Exteriores, para participar do lançamento das comemorações do centenário. Aso, de 68 anos, venceu com grande vantagem a eleição para a presidência do Partido Liberal Democrático, em substituição ao ex-primeiro-ministro Yasuo Fukuda, que renunciou três semanas atrás. Como a legenda tem dois terços dos votos na Câmara Baixa, Aso foi eleito primeiro-ministro e deve participar nesta condição da Assembléia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), no próximo fim de semana. Depois de relativa estagnação nos anos 80 e 90, o relacionamento entre os dois países voltou a se intensificar nesta década, principalmente depois da escolha do sistema japonês para a TV digital no Brasil. Trem na mira Os japoneses também têm interesse em disputar a licitação para o trem de alta velocidade que deve ligar São Paulo e Rio de Janeiro, prevista para o próximo ano. Aso discutiu o assunto em abril com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que esteve em Tóquio como representante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas comemorações do centenário da imigração japonesa.  O Brasil quer não apenas comprar os trens, mas busca conseguir um acordo que preveja a transferência de tecnologia. Outra área que aproxima os dois países é a produção de etanol, que pode reduzir a dependência dos japoneses do petróleo.  Apesar de ser considerado nacionalista e conservador, Aso é visto como um aliado pela comunidade de imigrantes brasileiros no Japão, que há anos pressiona o governo dos dois países a assinar um acordo na área de previdência. O objetivo é permitir que trabalhadores contribuam para sua aposentadoria no Japão e recebam o benefício mesmo se retornarem ao Brasil. Aso será o primeiro católico a ocupar o cargo, em um país em que as religiões dominantes são o xintoísmo e o budismo. O futuro premiê morou em São Paulo nos anos 60 como dirigente da empresa de cimento de seu avô paterno. Do lado materno, ele é neto de Shigeru Yoshida, que foi primeiro-ministro logo depois da 2ª Guerra.

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