Luis Ascui/Australia and New Zealand out via EFE/EPA
Luis Ascui/Australia and New Zealand out via EFE/EPA

Novo lockdown em Melbourne provoca corrida aos mercados

Confinamento de seis semanas vem no momento em que Austrália parecia ter controlado a pandemia

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2020 | 05h00

As prateleiras dos supermercados de Melbourne, a segunda maior cidade da Austrália, ficaram vazias ontem, poucas horas antes da entrada em vigor de novas medidas duras de confinamento. Pelo menos 5 milhões de moradores foram obrigados a retomar o isolamento por seis semanas, que começou à meia-noite de ontem, no horário local.

A principal rede de supermercados da Austrália, a Woolworth, decidiu racionar, mais uma vez, a venda de massas, legumes e açúcar. A epidemia de coronavírus ressurgiu nos últimos dias em Melbourne, com uma média de mais de 100 novos casos por dia. 

Nas últimas 24 horas, foram registradas 134 infecções, o que colocou as autoridades australianas em alerta – mesmo se tratando de um número pequeno em comparação às dezenas de milhares de notificações de países mais atingidos, como EUA e Brasil. A nova onda já acumula quase mil novos casos.

Para o governo australiano, a onda de infecções assusta, pois o país parecia ter conseguido conter a covid-19. Durante o novo confinamento, restaurantes e cafés poderão servir apenas comida para viagem, enquanto academias e cinemas permanecerão fechados. 

Além disso, as escolas prolongarão as férias. Os moradores de Melbourne deverão permanecer em casa, podendo sair só para trabalhar, ir a consultas médicas ou comprar itens básicos. Diferentemente do confinamento anterior, quem mora na cidade não poderá ir para uma segunda residência.

Novo surto

Na semana passada, as autoridades locais já haviam confinado 12 áreas de Melbourne e nove prédios residenciais, além de realizar testes maciços para detectar portadores do vírus. As autoridades de saúde explicaram que a nova onda de contaminações surgiu nos hotéis onde os australianos, que voltaram do exterior, eram postos em quarentena. 

De acordo com a imprensa local, os seguranças que cuidavam para que as pessoas permanecessem nos quartos mantiveram relações sexuais com algumas delas, o que acabou espalhando o vírus. 

A imprensa informou ainda que os agentes foram substituídos por carcereiros e uma investigação sobre o caso foi instaurada pelas autoridades sanitárias. “Estamos em uma posição mais precária, mais desafiante e potencialmente mais trágica do que há alguns meses atrás”, disse Daniel Andrews, primeiro-ministro do Estado de Victoria, cuja a capital é Melbourne. “Se não tomarmos essas medidas, não serão duas centenas de casos por dia, será muito mais do que isso e ficará fora de controle.”

Além da área metropolitana de Melbourne, o governo regional também ordenou o isolamento da cidade de Mitchell, que tem cerca de 44 mil habitantes. 

Para evitar uma possível expansão da pandemia para outras regiões, a fronteira entre os Estados de Victoria e Nova Gales do Sul, os dois principais territórios do país, cuja população combinada excede 50% do total da Austrália, foi fechada.

O Estado de Victoria, que representa 23% da economia australiana, também está isolado do restante da Austrália. O país mantém as fronteiras fechadas, exceto para voos de repatriamento.

A Austrália é considerada o terceiro melhor país do mundo nas ações contra a covid-19, atrás apenas da Coreia do Sul e da Letônia, de acordo com um recente relatório global da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Desenvolvimento Sustentável. / REUTERS, AFP e EFE

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