Novo ministro do Irã é réu no caso Amia

Ahmadinejad indica homem acusado de planejar atentado na Argentina

Ap, TEERÃ, O Estadao de S.Paulo

22 de agosto de 2009 | 00h00

O procurador argentino Alberto Nisman revelou ontem que o indicado do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, para a chefia do Ministério da Defesa esteve envolvido no atentado de 1994 contra Associação Mutual Israelense Argentina (Amia), que deixou 85 mortos. Procurado pela Justiça argentina, Ahmad Vahidi é alvo de um mandado internacional de busca da Interpol, expedido em 2007.À época do atentado, Vahidi comandava a Força Quds da Guarda Revolucionária do Irã, principal elo com o Hezbollah e responsável pelas operações internacionais de Teerã. Segundo investigações, a unidade teria planejado o atentado contra a organização judaica de Buenos Aires, enquanto o Hezbollah conduziu a operação."Está demonstrado que Vahidi foi uma pessoa chave na preparação e, em uma reunião realizada no Irã, em agosto de 1993, aprovou a decisão de atacar a Amia", disse Nisman.Desde 1994, o procurador investiga a explosão, o mais violento atentado terrorista da história da Argentina e o pior ataque a um alvo judaico fora de Israel desde o fim da 2ª Guerra.Ontem, o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Ian Kelly, qualificou a indicação de Vahidi de "perturbadora". O atual presidente da Amia, Guillermo Borges, disse estar "completamente surpreso e revoltado" com a nomeação.INTERPOLEm 2006, a Justiça argentina solicitou apoio oficial da Interpol na busca dos suspeitos do atentado. A organização emitiu, no ano seguinte, um "alerta vermelho" contra o ex-chefe da Força Quds e outros três iranianos. Além de Vahidi, consta na lista da Interpol Mohsen Rezaei, candidato ultraconservador à presidência derrotado na votação de junho. Reeleito em meio à maior onda de protestos desde a Revolução Islâmica, Ahmadinejad nomeou na quarta-feira os 21 ministros de seu governo. Antes de ser indicado para o gabinete, Vahidi ocupava o cargo de assessora do Ministério da Defesa. VETOEm mais um desafio à autoridade de Ahmadinejad, o Parlamento ameaça não confirmar alguns dos nomes indicados por ele. Alguns parlamentares afirmaram que entre os escolhidos estão pessoas desconhecidas e inexperientes. Vahidi, entretanto, não consta na lista dos nomes sob ameaça de veto do Legislativo.

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