Novo partido é lançado na África do Sul com críticas ao governo

Dissidentes tentam acabar com a hegemonia do ANC, preocupado com o êxodo de membros para a legenda rival

Agência Estado e Associated Press,

16 de dezembro de 2008 | 11h54

Políticos que romperam com o governista Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês) anunciaram os líderes de um novo partido na África do Sul nesta terça-feira, 16. No mesmo dia e na mesma cidade, o ANC realizou uma grande manifestação. O Congresso do Povo é acusado de oferecer pouco mais que críticas ao ANC, que liderou a luta contra o apartheid e governa desde o fim do regime racista, em 1994. A nova sigla, conhecida como COPE, não deve chegar ao poder nas eleições gerais do próximo ano. Porém o ANC está claramente preocupado com o êxodo de membros para o novo partido, e se há sinais de descontentamento suficiente entre os eleitores para diminuir bastante a margem de liderança dos governistas no Parlamento. O Congresso do Povo apresentou uma lista de líderes que ocuparam postos importantes no ANC. O anúncio foi feito em Bloemfontein, cidade universitária 400 quilômetros ao sul de Johannesburgo, que o ANC considera seu berço. "Nós somos o partido do futuro. O COPE é o partido do futuro", afirmou o presidente da sigla, Mosiuoa Lekota. Grande parte do discurso do líder foi dedicada a criticar o ANC, mesmo que Lekota tenha participado durante anos da formulação das políticas governistas. Lekota apontou que o país vive uma "crise de liderança". O novo partido foi fundado após a queda de Thabo Mbeki como presidente do país, em setembro. Lekota qualificou a saída de Mbeki como "não democrática". Jacob Zuma venceu Mbeki em uma dura disputa pela liderança do ANC no ano passado e deve ser o próximo presidente sul-africano. Zuma já esteve envolvido em acusações de corrupção, em processos que estão paralisados, mas podem ser retomados. Além disso, foi inocentado de uma acusação por estupro. Zuma, durante uma manifestação em um estádio de Bloemfontein, pediu aos partidários que "defendam o ANC das tentativas de semear a desunião e a confusão em suas fileiras". Zuma prometeu renovar o foco no auxílio aos mais necessitados e no fortalecimento dos laços entre o partido e o povo.  Nesta terça-feira se comemora um feriado na África do Sul, dedicado a fomentar a reconciliação e a unidade nacional. Também é o 47º aniversário do braço militar do ANC, hoje desativado, fato que Zuma lembrou em seu discurso.

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