Novo plano de defesa dos EUA restringe uso de armas nucleares

Obama anunciará estratégia que prevê redução de circunstâncias em que país responderia com ataque nuclear.

BBC Brasil, BBC

06 de abril de 2010 | 06h09

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deve anunciar nesta terça-feira uma nova estratégia de Defesa que reduz as circunstâncias em que o país faria uso de armas nucleares.

Segundo o plano, os Estados Unidos descartariam uma resposta nuclear a ataques contra o país envolvendo armas biológicas, químicas ou convencionais.

Os EUA também não usariam armas nucleares em ataques contra países que não mantêm um arsenal nuclear ou que cumprem o tratado de não-proliferação de armas nucleares.

Obama, no entanto, disse que abriria exceções para países que estariam violando este tratado, citando o Irã e a Coreia do Norte.

Antes do lançamento da nova estratégia, o presidente americano disse ao jornal The New York Times que está convencido de que o Irã segue uma via que "daria ao país capacidades nucleares".

Na semana passada, Obama disse contar com a aplicação de novas sanções contra o Irã "em semanas", por causa de seu programa nuclear.

Teerã insiste que seu programa tem fins pacíficos, mas a falta de cooperação com as autoridades internacionais aumentou temores de que os Estados Unidos ou Israel poderiam atacar suas instalações nucleares.

Pacto de redução

Segundo o New York Times, Obama descreveu sua política como "parte de um esforço mais amplo" para tentar tornar as armas atômicas obsoletas e "criar incentivos para que países desistam de suas ambições nucleares".

O plano de Revisão da Postura Nuclear (em tradução livre) será apresentado pouco antes da assinatura de um novo pacto pela redução de armas nucleares a ser assinado por Obama e pelo presidente russo, Dmitry Medvedev, nesta quinta-feira em Praga.

Segundo o acordo fechado no mês passado, Estados Unidos e Rússia se comprometem a diminuir substancialmente seu arsenal nuclear.

O pacto substitui o Tratado Estratégico de Redução de Armas (Start, na sigla em inglês), cuja validade expirou em dezembro passado.

Segundo o novo tratado, a Rússia e os Estados Unidos se comprometem a reduzir seu número de ogivas nucleares para 1.150, cerca de 30% menos do que é hoje permitido, informou o governo americano.

A Federação de Cientistas Americanos estima que os EUA tenham cerca de 2.200 ogivas e a Rússia 2.800.

Obama afirmou que este é o mais amplo tratado de controle de armas assinado em quase duas décadas.

Na próxima semana, o presidente americano receberá dezenas de líderes mundiais para uma cúpula sobre a não-proliferação de armas nucleares em Washington.

O presidente americano disse que seu objetivo é um mundo sem armas nucleares e prometeu reduzir o arsenal americano.

Na segunda-feira, um comunicado da Casa Branca afirmou que a nova política nuclear oferece "uma alternativa ao desenvolvimento de novas armas nucleares, que nós rejeitamos".BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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