MANDEL NGAN / AFP
MANDEL NGAN / AFP

Plano de Trump revê concessão do greencard e favorece mais imigrantes instruídos

Plano concentra-se em reforçar a segurança nas fronteiras e repensar o sistema de greencard para favorecer pessoas com habilidades de alto nível, formação universitária em vez de priorizar a reunião de famílias

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2019 | 17h17
Atualizado 16 de maio de 2019 | 20h11

WASHINGTON - O presidente Donald Trump apresentou nesta quinta-feira, 16, um novo plano migratório para privilegiar trabalhadores “brilhantes”. A mudança para um sistema que se baseia mais no mérito marcaria um afastamento histórico da abordagem familiar que, segundo autoridades, é responsável por cerca de 66% dos greencards emitidos no país, enquanto 12% se apoiam no critério das habilidades.

O plano, que não aborda o destino de jovens imigrantes ilegais que foram levados para os Estados Unidos ainda crianças, tem poucas chances de avançar no Congresso, onde legisladores de ambos os partidos o receberam com ceticismo. 

“Hoje apresentamos um claro contraste”, afirmou Trump em um discurso no Jardim das Rosas da Casa Branca. “Democratas estão propondo fronteiras abertas, salários mais baixos e, francamente, o caos sem lei. Estamos propondo um plano de imigração que coloca em primeiro lugar os empregos, salários e segurança dos trabalhadores americanos. Nossa proposta é pró-EUA, pró-imigrante e pró-trabalhador. É apenas bom senso.”

Segundo Trump, o plano não vai alterar o número de greencards emitidos por ano, atualmente em 1 milhão, mas vai priorizar trabalhadores qualificados e não aqueles cujas famílias já estão nos EUA. Com isso, os critérios de elegibilidade se basearão em fatores como idade, habilidade para falar inglês, formação educacional e capacidade de criar empregos nos EUA, como o estabelecimento de uma empresa, por exemplo. 

Segundo o Washington Post, autoridades da Casa Branca adiantaram o teor do plano para assessores republicanos no Congresso ressaltando que a nova política ainda priorizaria de imediato as famílias enquanto buscaria tornar os greencards mais generosos aos requerentes com habilidades e formação educacional. 

Diferentemente das propostas anteriores da Casa Branca, a administração procurou assegurar que o número de greencards – que garante a estrangeiros residência legal permanente nos EUA – continuará o mesmo, de modo que o número de imigrantes no país não seria reduzido. 

Sob o novo sistema, cerca de 57% dos greencards seriam emitidos com base no mérito. Atualmente, dois terços desses documentos são emitidos em processo com ligações familiares, o que a proposta da Casa Branca tentaria reduzir para um terço. 

O sistema criaria um processo de duas etapas que começaria com exames cívicos e checagem de antecedentes. Os solicitantes do greencard seriam avaliados em um novo processo de pontos. 

Segundo o Post, a Casa Branca pediu aos assessores republicanos que evitem usar a expressão “migração em cadeia” – um termo utilizado pelo próprio presidente para criticar o programa de unificação familiar. Em fevereiro do ano passado, os pais da primeira-dama, Melania Trump, eslovena naturalizada americana, foram beneficiados pelo programa para obter a residência permanente

Antes do discurso de Trump, a presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, disse que mérito é um termo “condescendente”. “Eles estão dizendo que família não tem mérito? Eles estão dizendo que a maioria das pessoas que já veio aos EUA na história do nosso país não tem mérito, porque não possui um diploma de engenharia?”, afirmou Pelosi. 

O apoio democrata, que detém a maioria na Câmara, seria necessário para avançar com qualquer lei para o Senado, liderado pelos republicanos. 

Trump, que fez da luta contra a imigração ilegal um dos principais temas de seu governo, garante que os EUA estão sendo invadidos por imigrantes e solicitantes de asilo. 

“Se por algum motivo, possivelmente político, não conseguirmos que os democratas aprovem esse plano de alta segurança, que se baseia em méritos, então conseguiremos aprová-lo imediatamente após a eleição, quando tomarmos de volta a Câmara (dos Deputados), mantivermos o Senado e, é claro, nos mantivermos na presidência”, disse Trump. / AP, W. POST, REUTERS 

 

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