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Novo poder altera estilo da capital

?Turma de Obama? tem costumes que contrastam com os dos aliados de Bush, crítico do modo de vida ?estressado?

Patrícia Campos Mello, Washington, O Estadao de S.Paulo

17 de janeiro de 2009 | 00h00

Após de oito anos de domínio republicano na Casa Branca, Washington se prepara para receber uma leva de democratas e um novo estilo de governo. A troca da guarda já pode ser percebida pelas ideias em alta, centros de estudos em baixa, frequência em restaurantes e artistas em destaque. Barack Obama traz para o governo um estilo "workaholic", com dias que começam às 6 horas na esteira e vão até tarde da noite, com vários assessores que não têm família e se dedicam 100% ao trabalho. George W. Bush marcou um ritmo mais relaxado, em que as mães tinham tempo de sair à tarde para buscar os filhos na escola. Bush detesta o modo de vida "nova-iorquino estressado". A cidade espera um renascimento na cena social. Bush ia para cama as 22 horas e detestava badalação. A primeira-dama, Laura, chegou a dizer: "Não viemos a Washington para fazer novos amigos." Bush foi anfitrião de apenas 12 jantares oficiais em oito anos - comparados com 30 de Bill Clinton e 50 de Ronald Reagan.Obama prometeu manter a tradição das "saídas de sexta-feira" com a mulher, Michelle. Desde que chegou, já participou de um jantar na casa do colunista conservador George Will, um bate-papo com comentaristas de esquerda e uma reunião com analistas de política externa.A nova primeira-família deve organizar eventos sociais ecléticos. Bandas country ou de jazz predominavam nos eventos do governo Bush. No governo Obama, pode-se apostar em Stevie Wonder, Aretha Franklin e diversidade cultural (o violoncelista Yo-Yo-Ma vai tocar na posse).Obama costuma fazer reuniões até a meia-noite e dispara e-mails de manhã cedo. Estará cercado de uma turma fanática. Pete Rouse, que era chefe de gabinete de Obama no Senado e será conselheiro na Casa Branca, é um workaholic confesso. Aos 62 anos, Rouse é solteiro, não tem filhos, e só se dedica ao trabalho e aos seus dois gatos. Outra wokaholic é a futura secretária de Segurança Interna, Janet Napolitano. Sem marido e sem filhos, Napolitano trabalha sem parar. "Ela é perfeita para o cargo, porque não tem família, nem vida, então pode dedicar literalmente de 19 a 20 horas por dia ao trabalho", alfinetou o governador da Pensilvânia , Ed Rendell.Os hábitos gastronômicos na Casa Branca terão grande mudança. Bush adorava "pizza de cheeseburguer" e pratos tex-mex. Em Chicago, Obama é fã do restaurante mexicano Topolobampo, de cozinha mexicana sofisticada (nada de burrito), e do Spiaggia, um italiano refinado.Bush adorava fazer mountain bike em sua fazenda no Texas, com o iPod recheado de música country e rock clássico. O gosto musical de Obama varia de Jay-Z a John Coltrane. Para puxar assunto com o novo presidente, uma boa dica é falar sobre cinema - ele é fanático por O Poderoso Chefão. Na turma que chega, o tom é de frugalidade. Na semana passada, um professor universitário de Washington recebeu um telefonema de um amigo de colégio. O amigo, empreendedor do Vale do Silício, foi um dos maiores arrecadadores de recursos para Obama. "Estou indo para Washington para ajudar na preparação da posse, posso ficar na sua casa?", perguntou o amigo a Jerome. "Claro, mas você vai ter de ficar em um colchão inflável", o professor alertou. Sem problemas.Calcula-se que cerca de 3 mil republicanos ficarão desempregados a partir de terça-feira. Babs Chase é um deles. Ela trabalhou no Departamento do Trabalho e foi assessora do ex-secretário de Defesa Donald Rumsfeld. Babs está buscando emprego no setor privado. "A economia está péssima e há muito republicanos como eu por aí, procurando emprego", diz.No campo das idéias também há mudanças. O queridinho de Bush e dos neocons era Natan Sharanski, o israelense e dissidente soviético que pregava a disseminação da democracia pelo mundo, tese que justificava a "mudança de regime" advogada pelos EUA para Irã, Iraque e outros.Para a nova turma, o pensador obrigatório é Reinhold Niebuhr, um dos "filósofos favoritos" de Obama - conhecido pelas teorias de igualdade de renda combinadas com política externa robusta. Outro pensador muito lido pela turma que chega é Saul Alinsky, líder comunitário em Chicago até os anos 70.A nova equipe valoriza as conquistas acadêmicas - o presidente e a primeira-dama formaram-se em Direito em Harvard com boas notas, e Obama foi o primeiro negro a dirigir a Harvard Law Review. Já Bush gostava de enfatizar seu lado antiintelectual e pé no chão. No início de seu primeiro mandato, Bush voltou a Yale, onde estudou, para ser orador em uma formatura. E disparou: "Vocês, alunos que tiram C, também podem ser presidentes dos EUA", brincou, referindo-se ao seu desempenho escolar medíocre.

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