REUTERS/Umit Bektas
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Novo premiê da Turquia apresenta gabinete formado por políticos leais a Erdogan

Binali Yildirim prometeu transição para um sistema presidencialista. Ahmet Davutoglu foi obrigado a abandonar o cargo por divergências com o presidente turco

O Estado de S. Paulo

24 Maio 2016 | 12h49

ANCARA - O novo primeiro-ministro da Turquia, Binali Yildirim, apresentou nesta terça-feira, 24, um novo gabinete formado por políticos leais ao presidente Recep Tayyip Erdogan, e prometeu uma transição para um sistema presidencialista.

“Começaremos imediatamente a trabalhar para alcançar uma nova constituição, incluindo um sistema presidencialista’, disse Yildirim em seu primeiro discurso após assumir o novo cargo.

Erdogan aprovou a nova equipe ministerial, na qual muitas pessoas influentes no governo anterior mantêm seus cargos, como o ministro das Relações Exteriores, Mevlut Cavusoglu, e o vice-premiê, Mehmet Simsek, titular da Economia, para grande alívio dos mercados, que o consideram sinônimo de estabilidade.

A principal mudança é a chegada de Omer Celik, porta-voz do Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP), ao Ministério de Assuntos Europeus em substituição a Volkan Bozkir, um diplomata de carreira que negociou um polêmico acordo com a União Europeia, assinado em 18 de março, para conter o fluxo de refugiados à Europa.

Berat Albayrak, genro e protegido de Erdogan, permanece como ministro da Energia e Efkan Ala na pasta do Interior, depois que a Turquia sofreu nos últimos meses atentados atribuídos à rebelião curda e ao grupo Estado Islâmico.

A única mulher no novo gabinete de 26 integrantes é Fatma Betül Sayan Kaya, ministra da Família e de Políticas Sociais.

Yildirim, de 60 anos, eleito no domingo líder do AKP, anunciou prontamente que pretende trabalhar por uma transição para um sistema presidencialista, como deseja Erdogan.

O novo chefe de Governo substitui Ahmet Davutoglu, obrigado a abandonar o cargo por divergências com Erdogan.

"Nosso caminho e nossa causa são as suas", disse Yildirim em referência a Erdogan, a quem chamou de "nosso líder", em um discurso no Parlamento. "Os trâmites para mudar a atual Constituição e passar para um sistema presidencialista serão iniciados nos prazos mais curtos", anunciou.

A ambição do chefe de Estado de alterar o sistema turco para o presidencialismo provoca muitas preocupações, dentro e fora do país. A chanceler alemã Angela Merkel expressou na segunda-feira "profunda preocupação" com o fim da imunidade parlamentar de vários deputados pró-curdos, que podem ser processados.

A medida poderia beneficiar o AKP, que não tem atualmente maioria suficiente no Parlamento para revisar a Constituição e reforçar as prerrogativas de Erdogan, um projeto que a oposição não aceita.

Yildirim, ex-ministro dos Transportes, é um antigo companheiro e fiel aliado de Erdogan, seu mentor político. No que diz respeito à política estrangeira da Turquia - afetada pela guerra na Síria -, o novo chefe de Governo, relativamente novato na área, resumiu seu projeto: "Vamos aumentar nosso número de amigos e reduzir o de inimigos".

O programa do novo governo será apresentado ao Parlamento e a votação de confiança deve acontecer nos próximos dias. /AFP e Associated Press

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