Novo premiê do Japão usa metáforas esportivas contra divergência

O novo primeiro-ministro do Japão, Yoshihiko Noda, um faixa preta de judô com afeição pelas metáforas, agora está se voltando para as analogias de esportes para discursar sobre a unidade de seu fragmentado partido governista.

REUTERS

31 de agosto de 2011 | 09h05

O Partido Democrata do Japão (PDJ), uma mistura de políticos com históricos variados e preferências políticas diversas, tem sido infestado por conflitos internos desde que assumiu o poder há dois anos.

Na segunda-feira, Noda foi eleito líder do PDJ, e portanto primeiro-ministro do Japão, na segunda rodada de uma votação, depois que nenhum dos cinco candidatos conseguiu um apoio da maioria na primeira rodada.

"Porque já não chamamos isso de 'nenhum lado'", disse Noda depois de derrotar o rival Banri Kaieda na segunda rodada da votação, que gerou uma briga entre críticos e aliados do mediador político do partido.

"Nenhum lado", uma frase que políticos japoneses usam com frequência para sugerir que rivais possam ser amigos quando a batalha terminar, é um termo antiquado do rúgbi ainda usado para encerrar jogos no Japão.

Ao se pronunciar diante dos parlamentares democratas sobre sua nova equipe de executivos do partido, Noda disse nesta quarta-feira: "Em termos usados no futebol, quero que sejam meio-campistas."

"Existem muitos, inclusive eu, que querem ser o centro-avante, mas o que esse partido precisa é de um grupo de meio-campistas com ampla visão de campo e que podem fazer os passes estratégicos."

O novo chefe de política do partido, Seiji Maehara -- que foi um arremessador durante a juventude -- também fez sua contribuição, e usou a analogia do beisebol para pedir a seus colegas parlamentares para se unirem.

"No espírito de todos estarem jogando na equipe de beisebol, eu quero que todos vocês participem do processo político", disse Maehara, que perdeu para Noda na primeira rodada das votações, mas apoiou o atual premiê na segunda rodada.

Um Noda rechonchudo, fã de luta livre profissional e praticante de judô, muitas vezes ironiza sobre o fato de não ter talento para medidas "newaza", que envolve técnicas executadas no chão. "Eu nunca fui bom de 'newaza' nem em judô, nem em política, e ainda sou ruim nisso", afirma.

O senso de humor do discreto Noda gerou risos e conquistou as manchetes dessa semana quando ele comparou seu queixo duplo com um tipo de peixe conhecido como "dojo".

"Eu pareço mesmo com isso e se eu for primeiro-ministro, o índice de aprovação não aumentaria, então eu não convocaria uma eleição antecipada", disse ele a parlamentares de seu partido antes da votação na segunda-feira.

(Reportagem de Kiyoshi Takenaka, Shinichi Saoshiro e Linda Sieg)

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