Novo premier apressa negociações para formação de governo

O novo primeiro-ministro do Iraque, o muçulmano xiita Jawad al-Maliki, disse nesta terça-feira que iniciou negociações com todos os grupos políticos do parlamento iraquiano para formar um novo governo para o país. Segundo ele, o ministério deve ser apresentado dentro de duas semanas. Maliki deu uma longa entrevista à TV estatal para falar de seus planos para enfrentar a grave crise nacional. Ele foi escolhido na semana passada pela principal coalizão de partidos xiitas, a Aliança Unida Iraquiana, e no sábado recebeu o aval dos maiores grupos políticos curdos e sunitas. Todos os ministérios, incluindo os estratégicos da Defesa e do Interior, estão abertos para todos os partidos, disse Maliki. Ele é um árduo defensor dos xiitas, mas ao mesmo tempo é pragmático, tanto que obteve o apoio da bancada sunita (minoritária no Parlamento). Os sunitas acusam os atuais dirigentes do Ministério do Interior, ligados a milícias xiitas, de fomentar esquadrões da morte que atacam sua comunidade. Maliki prometeu nomear políticos independentes para a Defesa e o Interior e insistiu que a inclusão dos sunitas no governo é essencial para derrotar o terrorismo. Os grupos armados que se opõem ao governo no Iraque e promovem atentados são basicamente sunitas. O novo premier disse ainda que os países vizinhos não devem interferir no Iraque, enquanto expressou sua gratidão a eles por terem acolhido dissidentes durante a era de Saddam Hussein. Al-Maliki, que passou anos exilado da Síria, agradeceu especificamente ao Irã, Síria, Jordânia, Arábia Saudita e a Turquia. Contudo, acrescentou que tal gratidão não significa que os iraquianos irão tolerar "interferências de segurança" ou envolvimento em "certos assuntos internos no Iraque". Os comentários pareceram dirigir-se ao Irã que acolheu grupos xiitas iraquianos que agora têm grande influência política no país, e à Síria, que é acusada de proteger partidários de Saddam que dirigem a insurgência sunita. Atentados Nesta terça-feira, em Bagdá, a explosão de uma bomba plantada num microônibus matou dois civis e deixou outros três feridos. O atentado ocorreu nas proximidades do escritório do clérigo xiita antiamericano Muqtada al-Sadr. Em outros atos de violência hoje, um carro-bomba, quatro bombas em beira de estrada e tiros disparados de dois veículos em movimento deixaram dois iraquianos mortos e nove outras pessoas feridas, entre elas três soldados americanos. Também foram descobertos os corpos com marcas de tortura de seis iraquianos, cinco em Bagdá e um em Basra: de Salih Talib, membro do Partido do Acordo Nacional, do ex-premier Ayad Allawi.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.