Novo premier turco defende tropas dos EUA no país

O presidente da Turquia nomeou o carismático líder partidário Recep Tayyip Erdogan como primeiro-ministro, uma iniciativa que deve colocar um pulso firme no governo e aumentar as chances de o Parlamento permitir a entrada de tropas de combate dos EUA para uma guerra no Iraque.Erdogan imediatamente sugeriu que fará uma reforma ministerial, mas não deu indicações sobre se irá expurgar membros do governo que se opõem à entrada das tropas, como analistas sugeriam que iria fazer.O primeiro-ministro Abdullah Gul renunciou na manhã de hoje para abrir caminho para Erdogan, que ganhou uma cadeira no parlamento nas eleições suplementares de domingo. Gul continuará na chefia do governo até que o gabinete de Erdogan seja aprovado pelo presidente Ahmet Necdet Sezer - o que pode ocorrer já amanhã.Erdogan anunciou que apresentará seu gabinete ao presidente "o mais rápido possível", e líderes do Partido da Justiça e do Desenvolvimento, de Erdogan, promovem uma reunião na noite de hoje.Quando perguntado sobre mudanças no gabinete, Erdogan respondeu: "Talvez haja pequenas mudanças", mas não entrou em detalhes.A renúncia de Gul era esperada. Erdogan preside o partido mas não teve autorização da justiça para concorrer nas eleições de novembro. Erdogan foi um destacado membro de um movimento pró-Islâmico da Turquia e foi preso em 1999, por atividades consideradas anti-seculares. O Partido da Justiça mudou a Constituição depois de sua grande vitória, nas eleições de novembro, para permitir que Erdogan fosse eleito e eventualmente substituísse Gul.Erdogan tem dito que mudou suas posições políticas desde que passou pela prisão. Ele agora defende a entrada das tropas dos EUA para uma guerra contra o Iraque, um país muçulmano como a Turquia.Erdogan assumirá o governo de uma nação que se opõe fortemente a uma guerra no Iraque - pesquisas apontam que 94% dos turcos são contra. Isto tem tornado tensas as relações com os EUA, que contam com a abertura de uma frente setentrional contra o Iraque numa guerra.Mas Erdogan é extremamente popular na Turquia e é provavelmente um dos poucos líderes com força suficiente para unir seu partido e ganhar o apoio público que permita a entrada das tropas americanas.Além do futuro das relações com os EUA, também está em jogo um pacote de ajuda de US$ 15 bilhões que Washington oferece à Turquia para proteger a economia do país no caso de guerra.

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