AP Photo/Ismael Francisco
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Novo presidente cubano será eleito nesta quarta-feira, diz mídia estatal

Diaz-Canel será o primeiro líder de Cuba sem o sobrenome Castro desde 1959, quando Fidel assumiu como primeiro-ministro

O Estado de S.Paulo

18 Abril 2018 | 09h44

HAVANA - A mídia estatal cubana disse que a Assembleia Nacional do país vai eleger o novo presidente nesta quarta-feira, 17, mas o anúncio da substituição de Raul Castro só ocorrerá no dia seguinte. O jornal Granma, do Partido Comunista, noticiou que o congresso se reúne para selecionar os líderes do legislativo antes de votar no presidente e nos outros membros do Conselho de Estado, o órgão governamental mais alto do país.

A votação secreta será contabilizada pela Comissão Nacional Eleitoral e o resultado sai no dia 19 de abril. O processo de dois dias é incomum para a Assembleia Nacional Cubana, que geralmente demora apenas um dia para selecionar o presidente. Diaz-Canel assume o cargo de Castro, que deixa a presidência depois de dois mandatos de cinco anos. Seu irmão Fidel foi o primeiro-ministro e presidente do país de 1959 até 2006, quando adoeceu.

Diferente

Diaz-Canel será o primeiro líder de Cuba sem o sobrenome Castro desde 1959, quando Fidel assumiu o posto de primeiro-ministro. Ele foi empossado como vice-presidente de Raul Castro em 2013 e manteve uma imagem discreta desde então. Começou a carreira como professor e construiu sua reputação como um funcionário público incansável.

Aos poucos, foi ocupando cargos mais altos dentro do Partido Comunista e ficou conhecido pela atuação política local, o incentivo às minorias de lésbicas, gays e transexuais do país e também por ser um adepto da tecnologia - realizou uma reforma nos currículos das universidades quando foi ministro do ensino superior, introduzindo a tecnologia da computação nos programas de muitos cursos. Além disso, foi o primeiro funcionário de alto escalão a levar um laptop às reuniões do partido.

Especialistas enxergam seu posicionamento discreto como uma estratégia para sobreviver dentro de um sistema administrado por revolucionários que estão envelhecendo e destruíram as carreiras de políticos jovens proeminentes. Agora, que vai ocupar os holofotes, tem o desafio de não apenas ler os documentos escritos e aprovados pelo partido, mas de expressar ideias. Conforme explicou o ex-vice-ministro de Relações Exteriores José Raul Viera Linhares, Diaz-Canel deverá se tornar mais um protagonista do que um coadjuvante. "Não é mais suficiente ser um administrador. Inevitavelmente ele terá que evoluir e se tornar um líder". / AP

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