Novo presidente do Irã promete 'caminho da moderação'

O presidente eleito do Irã, Hasan Rowhani, prometeu nesta segunda-feira seguir o "caminho da moderação" e prometeu maior abertura a respeito do programa nuclear do país, embora apoie a manutenção do enriquecimento de urânio em território iraniano.

Agência Estado

17 de junho de 2013 | 14h52

O tom geral da primeira coletiva de imprensa de Rowhani após a eleição deve ser visto no Ocidente como uma evidência de que sua impressionante vitória na semana passada pode abrir novas possibilidade de diálogo para aliviar as tensões a respeito do controverso programa nuclear de Teerã.

Ao se referir a Washington, Rowhani enviou uma mensagem dúbia. Ele pediu que não sejam criadas novas tensões e que os dois países devem "olhar para o futuro", mas repetiu declarações anteriores da liderança iraniana de que negociações diretas só serão possíveis se os Estados Unidos prometerem "nunca interferir em assuntos iranianos".

Mas várias outras questões permaneceram sem resposta. Rowhani evitou falar sobre a aliança com o governo do presidente sírio Bashar Assad, dizendo apenas que os esforços para encerrar a guerra civil e retomar a estabilidade repousa "sobre o povo sírio".

Ele também deve equilibrar as expectativas de muitos partidários que querem que ele se posicione contrariamente ao sistema dominante. No final da coletiva de imprensa, um espectador gritou, pedindo a libertação do líder opositor Mir Hossein Mousavi, que está em prisão domiciliar há mais de dois anos. Rowhani não fez comentários.

O presidente do Irã não tem autoridade para estabelecer políticas importantes, como a direção do programa nuclear ou as relações com o Ocidente. Todas essas decisões são tomadas pelos clérigos governantes e pela poderosa Guarda Revolucionária, que até o momento parece apoiar Rowhani, mas pode facilmente se virar contra ele caso acredite que o novo presidente é uma ameaça ao seu poder.

O presidente eleito tem 64 anos é foi o único clérigo a participar da corrida presidencial. Ele descreveu sua eleição como o início de uma "nova era" e que vai "seguir o caminho da moderação e da justiça, não do extremismo".

Ele também declarou que cuidar da economia está entre suas prioridades, uma clara referência sobre como as sanções ocidentais sobre o Irã ajudaram a elevar a inflação para mais de 30% e reduziu as receitas do país. Anteriormente Rowhani - que já foi negociador nuclear - criticou as posições iranianas que levaram ao aumento das sanções, mas descreveu as pressões econômicas dos Estados Unidos e outros países como "opressoras". Fonte: Associated Press.

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