Luis Iparraguirre / PRESIDENCIA DEL PERU / AFP
Luis Iparraguirre / PRESIDENCIA DEL PERU / AFP

Novo presidente do Peru anuncia reforma da polícia após repressão de manifestantes

Medidas ocorreram após repressão que deixou dois mortos e mais de 100 feridos; Francisco Sagasti é o terceiro presidente do Peru no mês de novembro

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2020 | 10h00

LIMA - O novo presidente do Peru, Francisco Sagasti, ordenou na segunda-feira, 23, uma reforma da Polícia, nomeou um novo comandante e enviou 15 generais para a reserva. As ações foram em resposta à violenta repressão de manifestantes durante o governo anterior.

"Tomei a decisão de designar como novo comandante de polícia, o general César Augusto Cervantes", anunciou Sagasti em uma mensagem ao país exibida na televisão, seis dias depois de assumir o poder, após o breve governo de Manuel Merino. 

"Estas medidas têm por finalidade fortalecer a Polícia", disse o presidente centrista. Cervantes substituiu o general Orlando Velasco, que estava no comando da força de segurança desde 7 de agosto, apesar de Velasco não ter sido responsabilizado pela repressão dos protestos contra Merino porque estava de licença médica.

Duas pessoas morreram e mais de 100 foram feridas na repressão policial das manifestações em Lima contra Merino, que renunciou cinco dias depois de assumir o poder em substituição ao popular presidente Martín Vizcarra, que foi destituído pelo Congresso. Com a designação de Cervantes, 15 generais da polícia passaram à reserva, informou o ministro do Interior, Rubén Vargas.

"Queremos uma polícia que continue defendendo a democracia, os direitos fundamentais, que nos devolva a segurança e as garantias", disse Vargas. Sagasti também criou uma comissão, liderada por Vargas, que deve apresentar recomendações em 60 dias para modernizar e fortalecer a Polícia. O presidente disse que com a reforma pretende "conectar a polícia com os cidadãos". Vargas anunciou no domingo uma investigação administrativa, que pode atingir generais e outros oficiais, após a morte de dois jovens manifestantes em Lima no dia 14 de novembro.

"As investigações estão acontecendo com absoluta prioridade e respeitando o devido processo legal", disse o ministro. O uso de espingardas que dispararam munição de chumbo e pequenas peças de vidro deixou mais de 100 feridos no centro de Lima. Também foram apresentadas denúncias de abusos sexuais de mulheres detidas em delegacias. 

O Ministério Público abriu na semana passada uma investigação penal preliminar contra Merino e dois de seus ministros pela repressão, que também pode afetar outros funcionários do governo e policiais. O MP tenta determinar a "linha de comando" no governo e na polícia durante a repressão para definir quem levar à justiça. / AFP e REUTERS

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