EFE/Ritchie B. Tongo
EFE/Ritchie B. Tongo

Novo presidente filipino promete cargos para rebeldes e defende volta da pena de morte

Rodrigo Duterte, que venceu a votação segundo apuração extraoficial, disse que rebeldes 'saberão controlar relações de trabalho' e defendeu morte por enforcamento para criminosos

O Estado de S. Paulo

16 Maio 2016 | 10h47

MANILA - O provável próximo presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, afirmou nesta segunda-feira, 16, que oferecerá cargos o governo para rebeldes comunistas, defenderá uma reforma da Constituição que dê mais pode para as províncias e retomará a pena de morte no país. Enquanto os resultados oficiais da eleição não são divulgados, levantamento extraoficial mostra que Duterte teve cerca de 38% dos votos no país, 15 pontos porcentuais a mais que o segundo mais votado.

Em sua primeira entrevista formal desde a eleição do dia 9, o político prometeu também lançar uma ofensiva militar para acabar com os extremistas de Abu Sayyaf, na Ilha de Jolo, no sul do país, mesmo que para isso tenha que desrespeitar os direitos humanos dos rebeldes.

Estes anúncios, que são um claro afastamento das políticas do governo atual, são reflexos da campanha presidencial de Duterte, na qual ele prometeu acabar com a criminalidade e a corrupção no país dentro de três a seis meses. 

As autoridades policiais dizem que é impossível atingir este objetivo, e apontam que a taxa de criminalidade permanece elevada na cidade de Davao, governada por Duterte durante mais de 22 anos. Além disso, há décadas o Exército filipino luta contra a insurgência de inspiração marxista na área rural.

Sobre a tentativa de conciliação com rebeldes comunistas, o provável presidente explicou que lhes oferecerá cargos relacionados com recursos do meio ambiente e da natureza, da reforma agrária, do bem-estar social e do trabalho. 

"São o grupo que mais controla o trabalho nas Filipinas e saberão fazê-lo (no governo)", disse Duterte. A iniciativa, no entanto, deve sofrer ampla resistências das grandes empresas e da indústria no país.

O político confirmou ainda que pedirá ao Congresso que a pena de morte - suspensa em 2006 após pressão da Igreja Católica - volte a vigorar do país. No entendimento de Duterte, a pena de morte por enforcamento deveria ser aplicada em casos de crimes desumanos. Já para criminosos condenados por roubo ou estupro, a pena deveria ser aplicada duas vezes.

"Depois do primeiro enforcamento, deveria haver uma segunda cerimônia até que a cabeça ficasse completamente separada do corpo", afirmou em entrevista transmitida pela televisão estatal.

Em uma promessa populista, ele afirmou ainda que venderá o iate presidencial e destinará os recursos arrecadados para a compra de equipamentos médicos para militares e policiais. "Quando a população tem fome e está sem trabalho... seria obsceno ter um barco de luxo que não é utilizado", finalizou Duterte. / AP

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