Novo presidente sul-africano deveria aprender lições políticas de Lula, diz 'FT'

Para jornal, Zuma pode repetir uso da imagem de 'homem do povo' para conter expectativas.

BBC Brasil, BBC

25 de maio de 2009 | 06h36

O novo presidente da África do Sul, Jacob Zuma, deveria "aprender lições políticas" com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para afastar as previsões pessimistas sobre seu governo, segundo afirma artigo publicado nesta segunda-feira pelo diário britânico Financial Times.

Segundo o jornal, Lula contradisse as previsões de que enfrentaria meses turbulentos pela frente após ser eleito presidente, em 2002, "não só tirando o Brasil da crise como levando o país a um período de relativa prosperidade".

"E assim como os formadores de opinião estavam equivocados sobre o presidente do Brasil, podem também agora estar subestimando o presidente da África do Sul?", questiona o artigo.

O texto, assinado pelo editor de América Latina do jornal, Richard Lapper, observa que tanto Lula quanto Zuma têm perfis parecidos em alguns aspectos, como a origem pobre, o carisma e a capacidade de "ouvir e negociar".

Mas segundo o artigo, enquanto os desafios de Lula em 2002 eram essencialmente econômicos, com o país à beira de uma crise financeira, os temores na África do Sul têm sido mais em relação à capacidade de Zuma de governar.

Temores dissipados

"Certamente há temores sobre o viés populista de Zuma e suas ligações com a esquerda. Mas seus críticos têm estado mais preocupados com alegações de corrupção. Zuma também atraiu desdém por suas posições sobre sexualidade (ele é polígamo), as quais os críticos temem que tornarão mais difícil o controle da epidemia de Aids", diz o texto.

O artigo comenta que Zuma conseguiu dissipar os temores sobre governabilidade, com as acusações de corrupção negadas pela Justiça sob o pretexto de que tinham motivação política, com suas promessas de "inclusão" para as minorias branca e indiana e com sua condução da política econômica.

"No Brasil, a grande realização de Lula foi a manutenção da extabilidade econômica, colocar os pobres no topo de sua agenda política e avançar com as reformas, expandindo de maneira firme os programas de bem-estar social. Parece agora haver ao menos uma possibilidade de que Zuma poderia partir do mesmo caminho centrista. Não será fácil. A economia da África do Sul está em recessão", diz o texto.

"No Brasil, Lula foi capaz de usar sua imagem de 'homem do povo' para conter as expectativas de mudanças do dia para a noite e convencer os simpatizantes a segui-lo no longo prazo. É um truque que Zuma poderia repetir", conclui o artigo do Financial Times.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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