Ronaldo Schemidt/AFP
Ronaldo Schemidt/AFP

Andrés Manuel López Obrador toma posse no México

Primeiro esquerdista a chegar ao poder em décadas no país, AMLO prometeu 'transformar' a segunda potência latino-americana

O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2018 | 18h04
Atualizado 01 Dezembro 2018 | 20h17

CIDADE DO MÉXICO - O presidente eleito do México, Andrés Manuel López Obrador, assumiu o cargo neste sábado, 1.º, o primeiro esquerdista a chegar ao poder em décadas, prometendo "transformar" a segunda potência latino-americana, em meio ao nervosismo dos mercados e uma crescente polarização política. Depois de fazer juramento na Câmara dos Deputados do país, ele participou de outra cerimônia na principal praça da Cidade do México, Zócalo. 

Em seu primeiro discurso, prometeu "proteger e fazer ser protegida a Constituição e as leis que dela emanam, e desempenhar leal e patrioticamente o cargo de presidente da República que o povo me conferiu". AMLO, como é conhecido Obrador, venceu as eleições com 53% dos votos.

"Por vontade do povo, iniciamos hoje a quarta transformação política do México. Pode parecer pretensioso ou exagerado, mas hoje não inicia apenas um governo, hoje começa uma mudança de regime político", declarou ao iniciar o seu discurso diante dos deputados e senadores reunidos em sessão do Congresso geral.

Aos 65 anos, Obrador será presidente para o período 2018-2022, depois de vencer em julho em sua terceira tentativa de chegar à presidência. "A partir de agora será realizada uma transformação pacífica e ordenada, mas, ao mesmo tempo, profunda e radical, pois se acabará com a corrupção e a impunidade que impedem o renascimento do México."

Diante de convidados especiais de todas as posições políticas, incluindo ex-presidentes, Obrador disse: "A política econômica neoliberal tem sido um desastre, uma calamidade para a vida pública do país".

Sobre a área comercial, o novo presidente enfatizou que está falando com representantes dos Estados Unidos e Canadá para ir "além" do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA, na sigla em inglês, antigo Nafta). O objetivo é conseguir "um acordo de investimento entre empresas e governos das três nações para impulsionar o desenvolvimento de países centro-americanos e o mexicano", a fim de enfrentar o fenômeno migratório.  

Além disso, ele agradeceu o "tratamento respeitoso" que recebeu do presidente americano, Donald Trump, desde o primeiro dia após a eleição, em julho, e o gesto de "amizade" pelo fato de o americano ter enviado a filha, Ivanka Trump, e o vice, Mike Pence, para a cerimônia de posse. 

Protestos

A cerimônia de posse foi marcada por atos de protesto. O primeiro foi protagonizado por senadores, que interromperam o discurso do presidente para contar de 1 a 43 – uma referência à quantidade de estudantes desaparecidos na cidade de Iguala, em 2014.

O segundo incidente foi uma faixa colocada no Congresso contra a presença do presidente venezuelano: “(Nicolás) Maduro, você não é bem-vindo”, dizia a mensagem colocada por deputados do PAN, partido de oposição a Obrador. Na cerimônia, Maduro sentou-se perto de Pence – que representou Trump, que participa da cúpula do G-20, em Buenos Aires. 

Venda de avião oficial

Jesús Ramírez Cuevas, porta-voz do presidente do México, garantiu o cumprimento de uma das principais promessas de campanha de Obrador: a venda do Boeing 787 comprado pelo então presidente Felipe Calderón, em 2012, e usado nos últimos seis anos por Enrique Peña Nieto

Segundo Cuevas, o avião presidencial fará na segunda-feira sua última viagem. “Ele vai para os EUA, onde será vendido”, garantiu o porta-voz. O Boeing 787, com capacidade para 80 lugares adaptados, foi adquirido por US$ 220 milhões, segundo Obrador, e custaria ao país cerca de US$ 24,5 milhões por ano de financiamento. O novo governo ainda não informou como o presidente pretende viajar durante o mandato. /AP, EFE e REUTERS

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