Novo protesto em Caracas: 14 feridos

Polícia venezuelana usa gás lacrimogêneo para dispersar manifestações estudantis contra violência da véspera

Caracas, O Estadao de S.Paulo

09 de novembro de 2007 | 00h00

Estudantes da Universidade Central da Venezuela (UCV), da Universidade Metropolitana (Unimet) e da Universidade Monteávila realizaram ontem diversos protestos em Caracas para condenar os atos de violência cometidos na quarta-feira contra alunos da UCV, que exigiam o adiamento do referendo sobre a reforma constitucional proposta pelo governo do presidente Hugo Chávez. De acordo com o jornal El Universal, 14 estudantes da Unimet ficaram feridos em confronto com a polícia de Caracas. Segundo a assessoria de imprensa da Unimet, os feridos passam bem. A maioria sofreu ferimentos leves após a polícia tentar dispersar a multidão utilizando gás lacrimogêneo.As manifestações ocorreram nos arredores das instituições acadêmicas porque uma grande marcha que havia sido convocada para ontem foi cancelada por dirigentes estudantis. A decisão foi tomada para evitar novos confrontos entre partidários e opositores de Chávez. Outro motivo foi que os estudantes não conseguiram permissão da prefeitura para realizar o protesto.A manifestação tinha como ponto de partida a UCV, e seu destino final era a sede da Procuradoria-Geral, onde os manifestantes tinham previsto entregar vídeos e outras supostas provas de que os conflitos da quarta-feira - nos quais oito pessoas ficaram feridas - haviam sido causados por chavistas.Os estudantes também pedem a renúncia do ministro do Interior, Pedro Carreño, pelas declarações que deu após o incidente de anteontem. Carreño acusou manifestantes que voltavam da marcha na quarta-feira de atacar estudantes pró-governo "reunidos pacificamente". Ontem à noite, antes de embarcar para a cúpula ibero-americana no Chile (ler abaixo), Chávez liderou em Charallave, perto de Caracas, uma caravana de milhares de pessoas a favor da reforma constitucional.O protesto de quarta-feira tinha como objetivo pedir ao Supremo Tribunal o adiamento do referendo de 2 de dezembro, alegando que a maioria da população não conhece o alcance da reforma e, portanto, não está capacitada a tomar uma decisão consciente no referendo popular.O projeto, apresentado por Chávez em agosto e aprovado pela Assembléia Nacional na semana passada, prevê mudanças em 69 dos 350 artigos da Constituição de 1999. Entre as mudanças mais polêmicas estão a extensão do mandato presidencial de 6 para 7 anos, o fim da autonomia do Banco Central e as reeleições indefinidas - que permitiriam a Chávez perpetuar-se no poder. Ainda ontem, a presidente da Assembléia, Cilia Flores, disse que pedirá ao Poder Eleitoral que investigue a propaganda da oposição pelo "não" à reforma no referendo do dia 2. Para Cilia, a oposição estaria pregando um golpe de Estado.EFE E FRANCE PRESE

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