Novo referendo na Irlanda causaria mais danos, diz ministro

Um segundo referendo irlandês sobre areforma do tratado da União Européia iria causar mais danos àIrlanda, depois de o acordo ter sido amplamente rejeitado peloseleitores esta semana, avaliou no sábado o ministro ConorLenihan. O "Não" venceu por 53,4 a 46,6 por cento. A vitória do "Não" na votação de sexta-feira --no único dos27 países da UE a fazer um referendo sobre a reforma-- foi umahumilhação para os líderes políticos da Irlanda e mergulhou obloco em uma crise de confiança, três anos depois de francesese holandeses terem rejeitado a Constituição da UE. Lenihan, ministro sem pasta no governo da Irlanda, disseque o voto contra o tratado, elaborado para revisar asenferrujadas instituições da UE, foi "profundamenteprejudicial". "Para ser franco, não posso ver uma situação em quepossamos apresentar de novo (à votação) essa questão porque orisco para a Europa e certamente para a Irlanda de levar issooutra vez seria causar ainda mais danos ao país e aos nossosinteresses", afirmou Lenihan à TV pública RTE. Quando lhe perguntaram se a idéia de uma segunda votaçãoestava descartada, o primeiro-ministro irlandês, Brian Cowen,afirmou na noite de sexta-feira que sua tarefa era a deconversar com colegas europeus que haviam sido igualmenteafetados. "Não estou descartando nada", comentou. Nas pesquisas, a Irlanda aparece como um dos países dobloco mais pró-europeus e seu atual boom econômico foiparcialmente fomentado por fundos da UE. Os eleitores irlandeses quase afundaram os planos deexpansão da UE em direção ao Leste Europeu em 2001 ao rejeitaro Tratado de Nice, mas o governo realizou então um segundoreferendo em que esse tratado foi aprovado. "Não estou dizendo que estou descartando a possibilidade deque possa ser votado novamente", disse Lenihan. "Mas eurealmente penso que absorveria um grande esforço do governo, ecertamente de parte da Europa, levar essa questão novamente avotação." A votação no referendo de sexta-feira mostrou que o tratadoenfrentou forte oposição nas áreas da classe trabalhadora, quevêem com suspeitas a União Européia e a elite política daIrlanda. Outros líderes europeus se reunirão na próxima semana emBruxelas para o que parece ser uma reunião de cúpula de crisedepois do voto dos irlandeses pelo "Não".

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