Novo secretário do Tesouro é nome respeitado pelo mercado

Tido como experiente e técnico, Geithner defende regulamentação

Patrícia Campos Mello, O Estadao de S.Paulo

25 de novembro de 2008 | 00h00

Na sexta-feira, logo após o vazamento da informação de que Timothy Geithner seria o secretário do Tesouro no governo do presidente eleito, Barack Obama, as bolsas começaram a subir. Geithner representa uma transição tranqüila - afinal, como atual presidente do Fed (Banco Central) de Nova York, ele é um dos principais responsáveis pelos pacotes para combater a crise econômica e é velho conhecido do mercado. Apesar da cara de menino, o futuro secretário do Tesouro, de 47 anos, é um veterano no governo. Ele teve como mentores Robert Rubin e Lawrence Summers, quando eles eram secretários do Tesouro no governo Bill Clinton. Geithner se dá bem com Summers, que o promoveu a subsecretário para assuntos internacionais no Tesouro na época da crise asiática e brasileira nos anos 90. Depois, foi indicado para presidir o Fed de Nova York, responsável por Wall Street, epicentro da crise. No Fed, Geithner tentou monitorar melhor os derivativos exóticos e títulos lastreados em hipotecas que passaram a se proliferar a partir de 2000. Ele não defendeu mais regulamentações, mas acreditava ser necessário um acompanhamento mais cuidadoso desses novos instrumentos financeiros.Com o agravamento da crise, a partir de agosto de 2007, Geithner passou a pedir maior intervenção do governo para evitar o desastre. Ele coordenou o resgate de US$ 30 bilhões do Bear Stearns, em março, e as operações para salvar AIG e a decisão de deixar o Lehman Brothers quebrar. Como secretário do Tesouro, Geithner ficará encarregado de reformular todo o arcabouço regulatório do sistema financeiro e aplicar programas para reativar a economia. Contudo, muitos acham que Summers, de personalidade forte, controlará o discreto Geithner. Os dois são considerados "Rubinomics", ou intelectualmente próximos ao ex-secretário do Tesouro Robert Rubin, que enfatizou o equilíbrio no orçamento, livre comércio e desregulamentação. Os "Rubinomics", porém, terão de se adaptar a uma nova realidade. O déficit orçamentário, por exemplo, será agravado pelo pacote de estímulo esperado para o início do governo. Equilíbrio fiscal não será prioridade no curto prazo. E o Tesouro deve mergulhar na missão de regulamentar novamente todo o sistema financeiro.TIME ESCALADOLawrence Summers, 53 anos, será diretor do Conselho Econômico Nacional, no qual atuará como principal conselheiro de Obama para a política econômica e coordenará várias secretarias e agências . Summers foi economista-chefe do Banco Mundial e subsecretário, secretário-assistente e secretário do Tesouro durante o governo de Bill Clinton. Considerado um gênio, recebeu a medalha John Bates Clark de economia, prêmio considerado um indicador para o Nobel. Entre 2001 e 2006, foi presidente da Universidade Harvard, onde sua personalidade abrasiva e seu estilo assertivo lhe renderam muitos inimigos. Ele foi forçado a renunciar depois de dizer que as mulheres eram biologicamente menos aptas para cargos em ciências e matemática - declaração que enfureceu as feministas. Atualmente, ele é professor em Harvard e diretor de um fundo hedge. Summers foi um dos primeiros defensores de um plano de estímulo fiscal de grande magnitude, uma das principais propostas do presidente eleito, Barack Obama, para tirar os EUA da crise. Ele também tem pesquisas em desigualdade de renda e classe média, que podem ser adaptadas às propostas feitas pelo novo presidente americano.Christina Romer será a presidente do Conselho dos Assessores Econômicos e estará encarregada das pesquisas sobre o estado da economia e daspolíticas de longo prazo. É professora na Universidade da Califórnia em Berkeley e estudiosa da depressão dos anos 30 e dos efeitos de choques fiscais e monetários. Christina é co-diretora do Programa em Economia Monetária no National Bureau of Economic Research (NBER) e também é membro do painel de ciclos econômicos do NBER, que oficialmente determina quando o país entra e sai de uma recessão.Melody Barnes será a diretora do Conselho de Política Doméstica, que cuidará da reforma do sistema de saúde e outras questões de longo prazo como parte da recuperação econômica. Melody é vice-presidente-executiva do Center for American Progress, centro de estudos liberal liderado por John Podesta, líder da equipe de transição de Obama. Melody também faz parte da equipe de transição. A advogada foi assessora do senador Ted Kennedy.

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