REUTERS/Max Rossi
REUTERS/Max Rossi

Entenda o novo sistema de votação da Itália

Método combina o sistema proporcional com o majoritário e não garante uma maioria estável nas duas Câmaras do Parlamento

O Estado de S.Paulo

04 Março 2018 | 16h50

ROMA - Os italianos votam neste domingo, 4, nas eleições gerais do país com um sistema novo e confuso, que provocou atrasos em colégios de Palermo e anulações de votos em Roma porque as cédulas estavam erradas.

+ As 7 chaves da eleição na Itália

+ Crise de 2008 ainda castiga eleitores italianos

O novo método, chamado "Rosatellum bis", foi aprovado nos últimos meses e serve para escolher os 630 deputados e 315 senadores, além de premiar as coalizões. Ele combina os sistemas de eleição proporcional com o majoritário, e não garante uma maioria estável nas duas Câmaras do Parlamento.

+ Gilles Lapouge: Campanha perigosa

+ Lourival Sant'Anna: Namoro com Mercosul

Cerca de um terço das cadeiras da Câmara de Deputados e um terço das cadeiras do Senado (232 deputados e 116 senadores) serão eleitos em distritos uninominais, sendo vencedor o candidato mais votado. As vagas restantes (398 deputados e 119 senadores) são repartidas de forma proporcional entre as listas apresentadas pelos partidos ou coalizões em distritos regionais.

O sistema deve favorecer os partidos mais radicados no território, mas é possível que nenhuma das três forças políticas em disputa obtenha a maioria necessária para constituir um governo.

Segundo o professor Roberto D'Alimonte, da Universidade Luiss, considerado um dos maiores especialistas no assunto, o limite mínimo para um partido ou uma coalizão é de 40% dos votos com o sistema proporcional e de 70% com o majoritário. O voto dos italianos no exterior pesa 2%, segundo alguns especialistas.

Para ter acesso ao Parlamento, um partido deve obter ao menos 3% dos votos, enquanto que uma coalizão deve conquistar ao menos 10%. Os partidos que não conseguem nem 1% dos votos são descartados, mesmo que façam parte de uma coalizão.

Erros

O cidadão, quando se aproxima do colégio eleitoral, recebe por parte do presidente da mesa duas cédulas, uma rosa para a Câmara dos Deputados e outra amarela para o Senado. Elas contêm, em primeiro lugar, os nomes dos candidatos que concorrem às distintas circunscrições uninominais, e embaixo as listas que os apoiam junto a quatro nomes de candidatos de distritos regionais.

Por esse motivo as cédulas em cada colégio eleitoral são diferentes, o que fez com que, em Palermo, 200 mil cédulas fossem colocadas em vários colégios com nomes equivocados.

O erro foi descoberto durante a madrugada e a delegação do governo ordenou a reimpressão, mas nem todas chegaram a tempo. Às 9h (5h em Brasília), duas horas após o horário previsto de abertura dos colégios italianos, havia alguns em Palermo que permaneciam fechados.

Em um colégio de Roma, um cidadão avisou ao presidente da mesa que os nomes dos candidatos ao Senado estavam errados. A votação acabou sendo suspensa temporariamente até que fossem entregues as cédulas corretas.

O presidente da mesa abriu uma urna na qual já tinham votado 36 pessoas e anulou esses votos. A imprensa italiana informou que elas foram contactadas para que possam voltar para votar. / AFP e EFE

Mais conteúdo sobre:
Itália [Europa]

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.