Novo terremoto abala cidade italiana de luto por crianças mortas

Um novo terremoto atingiu hoje o sudeste da Itália, enquanto as equipes de resgate recuperavam os últimos corpos dos escombros de uma escola que foi destruída pelo tremor da madrugada de quinta-feira. Segundo o balanço oficial, morreram 26 crianças, 1 professora e 2 mulheres que foram soterradas em suas casas. Sessenta e uma pessoas ficaram feridas e mais de 3 mil desabrigadas.O terremoto de hoje, de 5,3 graus na escala Richter, deixou alguns feridos, provocou novos desabamentos e levou a polícia a ordenar que os moradores abandonassem o povoado medieval de San Giuliano Di Puglia, na região de Molise, abalado pela morte das 26 crianças com idades entre 6 e 10 anos.No momento do desabamento, havia 62 pessoas dentro da escola - 56 alunos, 4 professoras e 2 zeladores. O trabalho de resgate durou mais de 30 horas e foi encerrado hoje às 16h30 locais (13h30 de Brasília) quando foi recuperado o último corpo soterrado, o de uma professora.Durante a madrugada, sob a luz de refletores, foi resgatado com vida o menino Angelo, de 8 anos, que ficou 17 horas sob os escombros. Pela manhã, os bombeiros encontraram outro menino com vida que, no entanto, morreu pouco depois.A tragédia de San Giuliano Di Puglia comoveu profundamente a Itália, que acompanhou hora após hora o drama dos pais das crianças.O papa João Paulo II ofereceu hoje seu pesar aos parentes das vítimas e rezou pelas crianças mortas no sul do país e o presidente italiano, Carlo Azeglio Ciampi, transmitiu as condolências de toda a nação ao prefeito de San Giuliano Di Puglia, Antonio Borrelli, cuja própria filha morreu noterremoto.As crianças estavam na escola participando de uma festa de Halloween quando ocorreu o tremor, que foi sentido de Roma a Potenza, no sul da Itália, a 360 quilômetros de distância uma da outra. Uma menina de 9 anos chamada Pia disse: "Lembro que a professora estava falando, sentimos o chão tremer e o teto caiu sobre nossas cabeças. Logo todos começaram a gritar, todos estavam assustados e os socorristas chegaram para nos salvar.""A tragédia poderia ter sido evitada", disse um senhor idoso diante da barreira de segurança erguida pelos bombeiros perto da destruída escola de San Giuliano Di Puglia.A polêmica tomou conta hoje do pequeno povoado e muitos disseram que o elevado número de mortos foi provocado pela negligência.O prédio da escola era velho, tinha mais de 40 anos, e seu estado era precário. "O teto era muito pesado para as paredes e não estava sustentado por nenhuma viga de aço", disse um dos membros das equipes de resgate.A promotoria informou que investigará o estado da Escola Francesco Jovine. A rádio e televisão pública italiana RAI informou que havia sido construído há não muito tempo um novo andar na escola, o que pode ter contribuído para o desabamento do teto.O tremor de hoje sacudiu novamente todo o povoado de San Giuliano Di Puglia, derrubando pelo menos um edifício que já havia sido afetado e fazendo com que os assustados moradores saíssem às ruas. Na vizinha localidade de Castellino del Biferno o campanário e parte do teto de uma igreja foram derrubados e pelo menos duas pessoas ficaram feridas.As chuvas torrenciais que durante toda a noite de quinta-feira atingiram Roma provocaram inundações em vários pontos da capital italiana. Além do Coliseu, a chuva alagou a central Praça Veneza onde os romanos e os turistas que se aventuraram a ir até oanfiteatro Flavio atravessaram a via dos Foros Imperiais com água até a metade das pernas.O trânsito da Cidade Eterna, normalmente caótico, parecia enlouquecido e as centrais telefônicas de emergência não conseguiam atender aos moradores cujas ruas e casas ficaram alagados, principalmente na zona sul de Roma, onde a água chegou a um metro de altura.O Rio Tibre, que atravessa Roma, transbordou na altura da Avenida Cristóvão Colombo, interrompendo o trajeto para o aeroporto. Numerosos vôos que deveriam partir do Aeroporto de Fiumicino sofreram atrasos por causa do mal tempo.Patrimônio históricoO terremoto de quinta-feira causou danos gravíssimos ao patrimônio histórico-artístico da região, informaram hoje as autoridades.Dora Catalano, funcionária da Superintendência de Bens Arquitetônicos de Molise, encarregada de redigir a lista das igrejas, monumentos, campanários e outras estruturas afetadas, disse que alguns bens sofreram grandes danos.Segundo ela, há igrejas do século 18 cujas cúpulas caíram completamente, outras que sofreram desabamentos parciais de seus campanários e várias cujas obras pictóricas foram danificadas.Catalano acrescentou que foram registrados danos muito graves na igreja de São Francisco, um dois mais bonitos templos barrocos da região.A funcionária disse que também foi gravemente danificada a igreja de Montorio, que abriga três das pinturas mais importantes de Molise.

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