AP/Natacha Pisarenko
AP/Natacha Pisarenko

Novo teste na Argentina debilita tese de suicídio de Nisman

Perícia indica que arma de onde saiu bala que matou promotor deixa rastro de pólvora, algo não havia nas mãos dele

Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE, BUENOS AIRES, O Estado de S. Paulo

08 Setembro 2015 | 20h40

Oito meses após a morte do promotor Alberto Nisman, encontrado com um tiro na cabeça em janeiro, peritos argentinos dispararam em uma simulação a arma de onde saiu a bala e concluíram que quem puxou o gatilho deve ter ficado com traços de pólvora nas mãos. Os primeiros especialistas a estudar o cadáver concluíram que não havia sinais de pólvora em Nisman.

Na época, defensores da tese de suicídio argumentaram que uma arma de calibre 22 nem sempre deixa tais sinais. A nova perícia indica o contrário.

O Centro de Investigação de Salta, no norte da Argentina, reconstruiu ambientes semelhantes ao banheiro em que Nisman estava, em seu apartamento em Buenos Aires, ao acionar a arma.

O resultado foi enviado à promotora responsável pela apuração, Viviana Fein. O teste reacendeu a disputa entre a investigação oficial, cujas conclusões sugerem suicídio, e o grupo de especialistas contratado pela família de Nisman, que assegura ter ocorrido um homicídio.

Após meses de silêncio sobre o caso, Fein afirmou ontem que o exame não pode ser analisado de forma isolada. “Não podemos dizer com essa perícia que ele se suicidou ou foi morto”, disse a promotora à rádio La Red. Ela afirmou que sua conclusão sobre o caso não sairá antes de 25 de outubro, quando o país escolhe o sucessor da presidente Cristina Kirchner.

A ex-mulher de Nisman, a juíza Sandra Arroyo Salgado, afirmou à rádio Mitre que se trata de “uma prova conclusiva”. “Segundo me informaram depois da morte de Nisman, esse tipo de arma deixa rastros em 100% dos casos.”

Nisman investigava o atentado contra a Associação Mutual Israelita-Argentina (Amia), em 1994. Seu corpo foi encontrado quatro dias depois de acusar a presidente de proteger iranianos considerados culpados pela Justiça, em troca de acordos comerciais com Teerã.

Cristina chegou a ser indiciada com integrantes da cúpula kirchnerista em fevereiro, mas a denúncia de Nisman foi arquivada em maio.

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