Novo teste nuclear norte-coreano isolaria o país, diz Rice

Um novo teste nuclear norte-coreano aprofundaria o isolamento do país comunista, disse nesta sexta-feira a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, em meio a informações de que a Coréia do Norte prepara um segundo teste atômico."A Coréia do Norte deve saber que qualquer teste deste tipo aprofundaria mais seu isolamento", afirmou Rice aos repórteres.Mais cedo, o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Sean McCormack, advertiu a Coréia do Norte de que um segundo teste nuclear provocará "conseqüências severas" contra o esforço diplomático para chegar a um acordo sobre as ambições atômicas de Pyongyang.Ele também disse que podem ser retomadas ainda este mês as negociações que envolvem seis países, com o objetivo de dissuadir a Coréia do Norte da busca por armas nucleares em troca de assistência e garantias de segurança. "Se vocês (Coréia do Norte) testarem mesmo de novo um dispositivo nuclear, isso terá conseqüências severas para a viabilidade daquele processo político e diplomático - por que eles tomariam esse tipo de medida?", disse McCormack a repórteres.Os seis países - as duas Coréias, China, Japão, Rússia e Estados Unidos - não obtiveram nenhum avanço na mais recente rodada de negociações sobre o assunto, no mês passado.McCormack não quis afirmar se a inteligência norte-americana também havia detectado novas atividades em lugares suspeitos da Coréia do Norte, mas disse que Washington, com base em suas avaliações políticas, não tem "nenhuma indicação" de que a Coréia do Norte pretenda conduzir um novo teste. A negativa foi reiterada por uma outra autoridade norte-americana que não quis se identificar.Coréia do SulNesta sexta-feira, as autoridades da Coréia do Sul disseram ter percebido a realização de algumas atividades perto de um possível local de teste nuclear da Coréia do Norte, mas que não havia indícios de que o país esteja prestes a detonar um outro artefato atômico.O canal de TV ABC News, dos EUA, tinha atribuído mais cedo a uma autoridade do Departamento de Defesa norte-americano a informação de que a Coréia do Norte parecia ter feito preparativos para um segundo teste nuclear.O primeiro teste do tipo realizado pelo país, em 9 de outubro, foi condenado pela comunidade internacional e punido com sanções pela ONU."Acreditamos que eles prepararam tudo para realizar um teste sem chamar atenção ou dar qualquer aviso", disse a autoridade norte-americana, segundo a rede de TV.Já uma outra autoridade dos EUA afirmou não haver motivos para acreditar que a Coréia do Norte esteja se preparando para realizar um novo teste - e que havia muita incerteza dentro do governo norte-americano sobre se o país asiático pretendia ou não repetir o procedimento de outubro passado.Os EUA monitoram a Coréia do Norte por meio de satélites e aviões de espionagem. Esses aviões voam no limite do espaço aéreo do país em busca de identificar movimentações suspeitas. "Foram detectadas algumas atividades em um suposto local de teste da Coréia do Norte, mas não há indícios específicos relacionados com um novo teste", afirmou um integrante do governo da Coréia do Sul familiarizado com o programa nuclear do país vizinho.Segundo a agência de notícias Yonhap, uma outra autoridade do governo sul-coreano disse que havia sido percebido, perto do local do primeiro teste da Coréia do Norte, um certo vai-e-vem de veículos e pessoas.Não há sinal de teste iminenteSegundo essa autoridade, no entanto, não há sinais de cabos sendo colocados na área ou de monitores eletrônicos sendo montados, o que seriam indícios de que um novo teste seria realizado em breve.O ministro sul-coreano das Relações Exteriores, Song Min-soon, que se reuniu com autoridades dos EUA em Washington, não conversou com elas sobre o perigo de que a Coréia do Norte estivesse preparando um novo teste, disse um membro do governo da Coréia do Sul segundo a Yonhap."A Coréia do Sul e os EUA compartilham informações regularmente", afirmou a autoridade. "Até agora, não ouvimos nada sobre a realização iminente de um teste."Segundo o canal ABC News, os dados obtidos pelos serviços de informação não eram conclusivos. Mas os preparativos realizados até agora são semelhantes aos adotados pela Coréia do Norte antes do teste de 9 de outubro. JapãoO primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, afirmou nesta sexta-feira que seu país e o restante da comunidade internacional responderiam com medidas duras caso a Coréia do Norte realizasse um segundo teste nuclear."Se isso acontecer, a comunidade internacional, incluindo aí o Japão, adotaria medidas mais duras", afirmou Abe em uma entrevista concedida à agência de notícias Reuters.Mas o premiê, cuja ascensão ao comando do governo japonês deveu-se em parte à postura rígida em relação aos norte-coreanos, acrescentou ser importante realizar esforços para retomar, o quanto antes, as negociações sobre o programa nuclear da Coréia do Norte.

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