Novos ataques dos EUA atingem quatro pontos da Somália

Forças norte-americanas, envolvidas na busca por militantes suspeitos da rede Al-Qaeda, bombardearam quatro locais do sul da Somália, nesta quarta-feira, 10, disse uma fonte do governo do país africano.Os ataques aconteceram no momento em que se intensificam as críticas da comunidade internacional devido à intervenção militar dos EUA. "No momento em que estamos conversando, a área está sendo bombardeada pela Força Aérea norte-americana", disse a fonte à agência de notícias Reuters.Ele afirmou que os aviões dos EUA atingiram áreas próximas de Ras Kamboni, um vilarejo costeiro localizado perto da fronteira com o Quênia onde muitos combatentes islâmicos em fuga estariam abrigados depois de terem sido derrotados por soldados etíopes aliados do governo interino da Somália.Quatro locais foram atingidos - Hayo, Garer, Bankajirow e Badmadowe, disse. "Bankajirow era o último esconderijo dos combatentes islâmicos. Bankajirow e Badmadowe foram duramente atingidos", afirmou.Autoridades do Pentágono confirmaram a realização de um ataque aéreo na segunda-feira como parte de uma ofensiva mais ampla envolvendo aviões etíopes.A investida teria por objetivo atingir uma célula da Al-Qaeda supostamente envolvida nos atentados a bomba de 1998 contra as embaixadas norte-americanas no leste da África e em um ataque de 2002 contra um hotel do Quênia.Autoridades somalis disseram que muitas pessoas morreram no ataque de segunda-feira, a primeira ação militar dos EUA na Somália desde o fim da desastrosa missão humanitária ali, em 1994.O membro idoso de um clã somali relatou um segundo ataque aéreo dos EUA na terça-feira, mas essa informação não pôde ser confirmada por outras fontes.As manobras norte-americanas foram defendidas pelo presidente da Somália, Abdullah Yusuf, mas criticadas por outras autoridades, entre as quais Ban Ki-Moon, novo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), a União Européia (UE) e a Itália, ex-potência colonial do país."O secretário-geral está preocupado com a nova dimensão a que esse tipo de ação pode elevar os conflitos e com a eventual escalada das hostilidades que possa resultar daí", afirmou Michele Montas, porta-voz da ONU.O ministro italiano das Relações Exteriores, Massimo D´Alema, disse que seu governo é contrário "a iniciativas unilaterais que possam alimentar as tensões em uma área já instável".Atentado contra embaixadasO ataque de segunda-feira contra um vilarejo do sul realizado por um avião AC-130 teria matado um dos três supostos membros da Al-Qaeda acusados de envolvimento nos atentados de 1998 contra as embaixadas norte-americanas no Quênia e na Tanzânia, disse uma autoridade da área de inteligência dos EUA.O governo norte-americano procura por alguns membros da Al-Qaeda, entre os quais Abu Talha al-Sudani, identificado como sendo comandante da rede no leste da África.Os que se opõem à ação militar dos EUA disseram que os ataques podem ter o efeito contrário ao desejado, alimentando o ressentimento entre a população somali e fortalecendo a militância islâmica.O presidente somali e o primeiro-ministro do país, Ali Mohamed Gedi, prometeram restabelecer a ordem na Somália depois de entrarem na capital pela primeira vez desde que tomaram posse, em 2004, à frente de um governo interino reconhecido pela comunidade internacional.Os dois pediram que forças de paz africanas ajudem a preencher o vácuo na área de segurança que deve ser criado quando as forças etíopes se retirarem do país."Esperamos que os soldados sejam enviados o quanto antes a fim de possibilitar que as forças presentes no país atualmente possam partir", afirmou Abdiqassim Salad Hassan, chefe do governo de transição antes no poder. As declarações foram dadas em uma entrevista coletiva concedida ao lado de Yusuf, sucessor dele.FrançaO Ministério de Assuntos Exteriores francês expressou nesta quarta sua preocupação com os bombardeios que os Estados Unidos realizam contra o sul da Somália, por entender que complicam a situação no país, informou a agência de notícias EFE.O porta-voz do departamento, Jean-Baptiste Mattéi, assegurou à imprensa que as operações aéreas dos EUA "podem aumentar as tensões, que já são muitas" na Somália.Após expressar seu pesar pelas vítimas civis provocadas por esses bombardeios, o diplomata francês disse que o Chifre da África é uma região "frágil, que é necessário estabilizar".Por isso, disse que Paris respalda as iniciativas regionais e internacionais que pretendem "reduzir as tensões, favorecer a reconciliação nacional e permitir a recuperação do funcionamento das instituições".Matéria ampliada às 14h42

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