Novos choques no Quênia deixam cinco mortos e vários feridos

Vítimas fatais de choques no país, iniciados após as eleições, já somam 45 em apenas cinco dias

Efe,

20 de janeiro de 2008 | 18h25

Novos choques étnicos entre kikuyus e luos deixaram três mortos neste domingo, 20, em Nairóbi e dois no oeste do país, informou a polícia, elevando o número de vítimas fatais a 45 em cinco dias. Huruma, ao leste da capital, foi palco de lutas violentas nas quais três pessoas morreram apunhaladas e outras quinze ficaram feridas, três gravemente. No hospital Kenyatta de Nairóbi, a Efe conseguiu falar com Dominik, que assistiu a seu irmão Allan ser linchado por cerca de 50 agressores. Segundo Dominik, os responsáveis pelo ataque afirmaram que eram mungikis, a seita da tribo dos kikuyus, de crenças pagãs e muito violenta. "Atacaram meu irmão de surpresa, gritando que eram mungikis e que matariam todos os luos", contou. "O pior", acrescentou Dominik, "é que a polícia não fez nada". Várias testemunhas disseram que as agressões ocorreram na presença de forças da ordem, que não intercederam para evitar a tragédia. No hospital, o diretor-adjunto, Njoroge Waithaka, detalhou a lista de feridos e a natureza das lesões. "Todos os internados procedentes de Huruma apresentam cortes profundos ou amputações", afirmou. Os kikuyus são a principal etnia do país e à qual pertence o presidente Mwai Kibaki. Os luos são os terceiros mais numerosos do Quênia e o clã do qual procede o líder opositor Raila Odinga. Musalia Mudavadi, do Movimento Democrático Laranja (ODM) - partido da oposição que denuncia a vitória do presidente Kibaki nas eleições gerais de 27 de dezembro devido às irregularidades cometidas na apuração dos votos -, visitou o hospital. Ele disse que a polícia estava "protegendo os mungikis e que tinham cometido assassinatos seletivos contra os luos". Nesse momento, John, um jovem kikuyu, se dirigiu a Mudavadi na recepção do hospital, acusando o ODM de incitar a violência contra sua etnia. "Meu irmão está lá dentro com as mãos amputadas", disse John. "Cem luos atacaram-no em sua casa", continuou. Mudavadi respondeu que condenava a violência à margem da origem tribal e confirmou que seu partido, liderado por Raila Odinga, se reuniria na terça-feira com o ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, que chegará a Nairóbi para fazer mediação entre governo e oposição. Ele também informou que o ODM faria outras manifestações pacíficas previstas para a próxima quinta-feira. Em menos de um mês, os choques tribais e entre oposição e forças de segurança causaram a morte de quase 700 pessoas e o deslocamento de mais de 250 mil, segundo fontes oficiais e das Nações Unidas.

Tudo o que sabemos sobre:
Quênia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.