Novos confrontos em Estado indiano deixam 36 feridos

A polícia enfrentou a bala pessoas envolvidas em distúrbios no Estado indiano de Assam durante a noite, resultando em mais feridos numa onda de violência étnica que já matou pelo menos 36 pessoas e obrigou milhares de outras a fugirem das suas casas destruídas, disse a polícia nesta quarta-feira.

BISWAJYOTI E DAS, Reuters

25 de julho de 2012 | 08h50

A polícia alertou que alvejaria quem violasse o cessar-fogo imposto para conter os confrontos entre membros da tribo Bodo e colonos muçulmanos numa remota região do nordeste indiano, vizinha a Bangladesh.

Mas a ameaça não conteve a violência em três distritos do Estado. A polícia se queixa de estar mal equipada para lidar com grupos munidos de armas de fogo, facões, porretes e pedras.

"Ninguém está cumprindo nenhum toque de recolher", disse por telefone o policial Sanjeev Kumar Krishna, no distrito de Chirang. “As pessoas ainda estão andando nas ruas, choças estão sendo incendiadas.

Um repórter da Reuters que viaja pela área viu lojas e empresas fechadas e ruas vazias no distrito de Kokrajhar. Dezenas de soldados marcharam com bandeiras vermelhas nos arredores da cidade homônima, sede do distrito, tentando instilar confiança entre os locais.

Mas a área estava deserta, sem ninguém nos arrozais próximos, apesar de ser a época da semeadura.

Um policial graduado de Assam disse que o número de mortos pela violência subiu para 36.

Conexões rodoviárias e ferroviárias para as áreas afetadas foram fortemente afetadas. Cerca de cem caminhões carregados de grãos ficaram parados numa rodovia, sem conseguirem chegar a Guwahati, principal cidade do Estado.

REVOLTAS SEPARATISTAS

O nordeste da Índia abriga mais de 200 grupos étnicos e tribais, e enfrenta revoltas separatistas desde que o país ficou independente da Grã-Bretanha, em 1947.

Nos últimos anos, tribos hindus e cristãs manifestam um forte sentimento xenófobo e islamofóbico contra colonos oriundos principalmente de Bangladesh.

Os novos incidentes começaram dias depois de inundações que mataram mais de cem pessoas e deixaram pelo menos 400 mil desabrigados em Assam.

"“O tiroteio entre a polícia e os arruaceiros continua acontecendo", disse o inspetor-geral de polícia do Estado. S.N. Singh, por telefone à Reuters. "Percebemos a gravidade da situação quando vimos manchas de sangue nas estradas e arredores. Estamos tentando ao máximo controlar a situação."

Os bodos se sentem marginalizados na sua terra por causa das levas migratórias vindas de Bangladesh desde a década de 1950. Os muçulmanos compõem cerca de 40 por cento da população do Estado, e formam a maioria em alguns distritos.

Em 1983, pelo menos 2.000 pessoas, a maioria imigrantes de Bangladesh, foram mortos em confrontos no centro de Assam.

(Reportagem de Biswajyoti Das em Guwahati e Annie Banerji em Nova Délhi)

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