Novos confrontos em Gaza acabam com cessar-fogo

Forças próximas ao Fatah, facção do presidente palestino, Mahmoud Abbas, invadiram na noite de quinta-feira o campus da Universidade Islâmica, em Gaza, que é considerado um reduto do grupo rival, o Hamas, do primeiro-ministro palestino, Ismail Haniyeh.A operação, que aparentemente tinha o objetivo de procurar armas, foi comandada pela guarda presidencial de Abbas. Pelo menos duas pessoas ficaram feridas no tiroteio e parte do prédio foi incendiado.Segundo um representante do Fatah, sete iranianos foram presos na universidade. O Hamas nega a presença de estrangeiros no campus.A invasão da universidade ocorreu depois de um dia de violentos confrontos entre as duas facções rivais que deixou pelo menos seis mortos e acabou com o cessar-fogo decretado apenas três dias antes.As seis mortes ocorreram no centro da Faixa de Gaza, quando militantes do Hamas atacaram um comboio que levava suprimentos para as forças de segurança aliadas ao Fatah.Também há relatos de vários conflitos menores na quinta-feira e do retorno de homens armados às ruas da Faixa de Gaza. À noite, uma área próxima ao Ministério do Interior, sitiado por partidários do Fatah, foi atacada por foguetes do Hamas. Também foram ouvidos disparos de metralhadora na cidade.Guerra civilSegundo o correspondente da BBC em Gaza Alan Johnston, o temor de uma guerra civil aumenta entre a população. Ele afirma que a invasão da universidade é uma vitória psicológica para o Fatah.Johnston diz que a Universidade Islâmica foi fundada por Sheikh Yassin, líder espiritual do Hamas, e que os principais líderes do movimento estudaram ou lecionaram no campus.Será um golpe para o Hamas, diz Johnston, o fato de que o campus agora está nas mãos da facção inimiga. Ele afirma ainda que o simples fato de a universidade ter sido escolhida como alvo de uma operação revela a dimensão sem precedentes alcançada pelos confrontos entre as duas facções.O Hamas afirma que o comboio atacado nesta quinta-feira levava armas vindas de Israel para a guarda de Abbas, o que é negado pelo Fatah. Segundo Johnston, a questão do armamento das tropas leais a Abbas é polêmica.O correspondente afirma que tanto Israel quanto os Estados Unidos estão interessados em reforçar as forças pró-Abbas. Recentemente, Washington concordou em fornecer "equipamentos não-letais" à guarda presidencial.O Hamas diz que o envolvimento americano tem o objetivo de provocar conflitos nos territórios palestinos.

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