Novos documentos ampliam alcance de rede de espionagem online dos EUA

Com dados de Edward Snowden, jornal britânico revela sistema de coleta de dados na internet em vários países, incluindo o Brasil, enquanto Casa Branca libera para o Congresso informações sobre interceptação telefônica de milhões de americanos

Agência Estado

31 de julho de 2013 | 14h45

WASHINGTON

Revelações sobre a rede de espionagem eletrônica mantida pelo governo americano vieram à tona ontem, após a liberação pela Casa Branca de documentos sigilosos e a publicação de uma reportagem com base em informações inéditas do ex-agente da CIA Edward Snowden. As informações expõem mais detalhes do sistema de vigilância que os EUA operam em escala global.

O governo Barack Obama entregou relatórios que antes eram mantidos sob segredo de Estado para o Comitê de Justiça do Senado, que está conduzindo audiências sobre o aparato de espionagem digital. Os papéis descrevem o programa da Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) para vigiar redes de telefonia dentro dos EUA – envolvendo, portanto, principalmente cidadãos americanos. Entre os documentos, há uma ordem que obrigou a empresa Verizon a entregar a autoridades registros de seus clientes ao longo de três meses.

Ao mesmo tempo, o jornal britânico The Guardian publicou mais uma reportagem com base no material divulgado por Snowden, que há cerca de um mês vive na área de trânsito do principal aeroporto de Moscou. As novas informações do diário britânico dizem respeito às operações da NSA para espionar a internet ao redor do mundo.

Segundo o Guardian, a inteligência americana mantém um sistema de filtro de informações pessoais em centenas de sites de busca e bate-papo fora dos EUA. O site do jornal britânico colocou no ar parte da apresentação de 32 slides do NSA em que o programa – intitulado XKeyscore – é descrito. Dezenas de países, incluindo o Brasil, teriam sido alvo da espionagem digital americana.

Sites. As primeiras revelações de Snowden indicavam que a inteligência dos EUA tinha amplo poder de espionar a internet, mas com ações direcionadas a suspeitos específicos. A reportagem publicada ontem, porém, aponta que o NSA monitora uma enorme quantidade de dados que circulam na rede usando uma tecnologia de análise conhecida como "metadata".

Segundo o documento ultrassecreto, de fevereiro de 2008, é possível interceptar e extrair informações precisas em sites mundo afora, descobrindo, por exemplo, a identidade de uma pessoa que criou uma planilha no Excel ou um mapa no Google. Ainda de acordo com a apresentação, com o XKeyscore foi possível chegar a "mais de 300 terroristas".

Outra forma de operação do sistema é identificando a criação de redes privadas virtuais, as VPNs, em um país específico. As VPNs são conexões fechadas que ampliam a segurança online, mas os analistas americanos podem localizar usuários que criam essas redes. Os funcionários da NSA também têm poder para lançar buscas transversais: encontrar, por exemplo, qualquer internauta no Paquistão que tentar acessar sites em alemão.

Ambos os programas foram lançados ainda no governo de George W. Bush, após os atentados de 11 de Setembro. De início, eles não estavam submetidos a nenhum controle externo, mas, posteriormente, uma corte que trata de informações secretas concedeu um mandato ao Executivo para manter o sistema de vigilância. O governo Obama disse ter encerrado o programa de filtro de e-mails, mas não está claro se as operações continuam sob um novo nome. / NYT e REUTERS

Tudo o que sabemos sobre:
EUANSAespionagemSnowdenXKeyscore

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.