Novos governadores dão força a Kirchner

Mesmo que aliados sejam derrotados em Córdoba e Santa Fé, presidente mantém vantagem

Ariel Palacios, BUENOS AIRES, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2003 | 00h00

O governo do presidente Néstor Kirchner passou ontem por dois importantes testes antes da eleição presidencial, marcada para 28 de outubro. As eleições para governador ocorridas em Córdoba e Santa Fé (dois dos maiores colégios eleitorais do país) indicavam, de acordo com pesquisas boca-de-urna, a vitória do socialista Hermes Binner em Santa Fé, com 54% dos votos, e do peronista Juan Schiaretti, em Córdoba.Se as previsões forem confirmadas, Binner venceria o kirchnerista Rafael Bielsa e Schiaretti derrotaria Luis Jerez, o oposicionista prefeito de Córdoba - que, com 48% dos votos (contra 52%, o que configura empate técnico), e exerceria forte pressão política na província.Até as votações de ontem, nas dez eleições para governador ocorridas desde o início do ano, o governo Kirchner e seus alidos venceram em seis. Se as pesquisas boca-de-urna se confirmarem, o placar passaria a sete vitórias kirchneristas em doze eleições provinciais.Em Santa Fé, Hermes Binner representa um setor moderado da oposição, que manteve diálogo com o presidente. Com 51% das urnas apuradas até a noite de ontem, Binner tinha 46% dos votos e Bielsa, 41%. Mas Bielsa logo reconheceu a derrota, o que torna Binner o primeiro socialista a governar a província de Santa Fé. Mesmo que o novo governador desponte como uma figura de peso na oposição, Kirchner poderia cooptá-lo como aliado. Em Córdoba, a vitória de Schiaretti daria forte respaldo a Kirchner, pois a província tem políticos influentes e um empresariado forte. Juez, o candidato rival a Schiaretti, esteve alinhado até poucos meses atrás com Kirchner, de quem se afastou por questões eleitorais. Mas sua vitória não implicaria em uma derrota para Kirchner na prática, já que Juez poderia retornar rapidamente à esfera kirchnerista.Ambas as eleições aconteceram após duas semanas de anúncios de gastos públicos, que serviriam para agradar ao eleitorado, segundo analistas políticos. Mais de US$ 1,3 bilhão não previstos no orçamento argentino seriam injetados a partir de 1º de outubro para reajustar aposentadorias, salários-família e também para devoluções tributárias. Coincidentemente, os benefícios começarão a ser aplicados 27 dias antes da eleição presidencial, na qual a primeira-dama, Cristina Kirchner, é candidata. Segundo pesquisa divulgada ontem, Cristina venceria com 44,6% dos votos. A segunda colocada, Elisa Carrió (da Coalizão Cívica, de centro-esquerda), tem apenas 13,6% das intenções de voto. Para o ex-presidente Raúl Alfonsin (1983-89), se Cristina vencer, a Argentina viverá "sob uma co-presidência", em alusão à influência do marido nas decisões da futura administração.

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