REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

‘Novos protestos na Venezuela são muito improváveis’

Para analista venezuelano Benigno Alcorcón, decisão de não competir foi a correta, se partimos do pressuposto que não poderia haver vitória

Entrevista com

Benigno Alcorcón, cientista político da Universidade Católica Andrés Bello

Rodrigo Cavalheiro, ENVIADO ESPECIAL / CARACAS, O Estado de S.Paulo

21 Maio 2018 | 05h00

A oposição acertou ao estimular um boicote?

As condições eleitorais mudaram muito desde Hugo Chávez e pioraram depois que Nicolás Maduro quase perdeu para Henrique Capriles em 2013. A oposição ganhou o Congresso em 2015 e o resultado não foi reconhecido. A decisão de não competir foi a correta, se partimos do pressuposto que não poderia haver vitória. 

+ Maduro é declarado vencedor em eleição contestada pelo opositor, que pede nova votação

Maduro termina o mandato de 6 anos que começa em janeiro?

Os regimes híbridos, aqueles que são autoritários com eleições, como o venezuelano, são relativamente instáveis. Em algum momento, a impopularidade é tamanha que perdem a eleição, como ocorreu na Argentina com os Kirchners. Mas muitos se fecham politicamente e então se tornam mais estáveis, como a Rússia, a Bielo-Rússia e a Nicarágua. Daniel Ortega se manteve no poder quase sem discussão ao ilegalizar partidos. 

A pressão internacional terá efeito sobre um regime cada vez mais fechado?

Para os atores mais radicais do regime, não há maior efeito. Mas para os moderados, que preferem manter suas contas em Miami ou em outros países, sanções podem ter efeito importante. Este seria o próximo passo para mudar de rumo o chavismo, sancionar os moderados. A alternativa dos radicais é manter o poder ou ser preso.

Qual o futuro da oposição?

A oposição já está dividida. A decisão de Henri Falcón de concorrer já produziu isso. Ele passará a encabeçar a oposição legal. É provável que o outro setor da oposição, que pregou o boicote, fique na ilegalidade.

Podem ocorrer protestos como os de 2017?

Novos protestos são muito improváveis. Falcón não tem capacidade de convocá-los de maneira tão organizada como ocorreram em 2017. E não teria sentido os opositores que boicotaram a votação agora alimentarem protestos. Eles avisaram que Maduro se declararia vencedor. Mais perto da posse, a oposição até poderia exigir eleições, já que, segundo eles, essas não existiram. 

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