Novos protestos são registrados em Trípoli; tropas abrem fogo em Benghazi

Novos protestos são registrados em Trípoli; tropas abrem fogo em Benghazi

Testemunhas dizem que há tiroteios na capital da Líbia; tribos pedem saída de Kadifi e ameaçam cortar exportação de petróleo

Reuters,

20 de fevereiro de 2011 | 20h13

TRIPOLI - Enquanto manifestantes tomam Benghazi, a segunda cidade mais importante da Líbia, outros confrontos são registrados na região central da capital do país, Trípoli, contra partidários do líder líbio Muammar Kadafi. Segundo testemunhas, houve tiros e confusão próximo à Praça Verde na noite deste domingo, 20.

 

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Os manifestantes, inspirados pela agitação na vizinha Tunísia e no Egito, exigem o fim da ditadura de Kadafi, que já dura 41 anos. Suas forças de segurança responderam com violência.

 

A rede de TV Al-Jazira diz, sem citar fontes nem mais detalhes, que há centenas de pessoas em confronto na região e alguns atiram pedras contra cartazes do líder do país. Moradores afirmam que a polícia local tenta dispensar os manifestantes com gás lacrimogêneo. Um trabalhador expatriado em Trípoli viu carros sendo incendiados. Funcionários de hotéis na região confirmam tiroteios e combates.

 

"Estamos dentro de casa, com as luzes apagadas. Ouço tiros na rua, não podemos sair", disse um morador à Reuters por telefone. O trabalhador que vive na capital líbia disse que "manifestantes antigoverno estão reunidos e que a polícia tenta separá-los". Os protestos foram confirmados por um funcionário de um hotel em Omar Trípoli, a um quilômetro da Praça Verde..

 

Outra cidade. Já em Benghazi, manifestantes também tomaram as ruas e as forças de segurança abriram fogo para reprimir os protestos, segundo testemunhas. Moradores disseram que dezenas, talvez centenas de milhares de manifestantes tomaram as ruas da cidade para enterrar os muitos mortos das últimas 24 horas.

 

As comunicações estão sendo controladas, e o acesso de jornalistas internacionais a Benghazi não é permitido. O grupo Human Rights Watch disse que 84 pessoas foram mortas na cidade no sábado, elevando o número de vítimas nos confrontos que ocorrem principalmente no leste do país para 173 em quatro dias de distúrbios.

 

"Houve um massacre aqui ontem à noite", disse à Reuters por telefone no domingo um morador que não quis se identificar. Mais tarde no domingo, um dos principais líderes tribais, que pediu anonimato, disse que as forças de segurança, que estavam confinadas, deixaram os alojamentos nos quartéis e atiravam nos manifestantes nas ruas, como "uma perseguição de gato e rato."

 

Os confrontos aconteceram em uma estrada que leva a um cemitério, onde milhares de pessoas foram enterrar seus mortos. "A situação é muito tensa e vários incêndios irromperam no quartel general do comitê revolucionário e em outros edifícios", ele disse.

 

Informações fragmentadas indicam que as ruas de Benghazi, cerca de 1.000 km ao leste da capital, Trípoli, estão agora sob o controle dos manifestantes antigoverno, sofrendo ataques periódicos das forças de segurança, que atiram de dentro do seu quartel murado.

 

Óleo. Com a onda de violência, o líder da tribo Al-Zuwayya ameaçou contar a exportação de petróleo para países do Ocidente em 24 horas a menos que as autoridades parem o que ele chamou de "opressão de manifestantes". Shaikh Faraj al Zuway fez as ameaças em entrevista a Al-Jazira.

 

A tribo fica ao sul de Benghazi, onde tem sido registradas as manifestações mais violentas nos últimos dias.

 

Já Akram Al-Warfalli, líder da tribo Warfalla Al, ao sul de Trípoli, pediu que KaDafi deixe a Líbia. "Pedimos ao irmão, se bem que ele não é mais nosso irmão, para deixar o país", falou na TV o chefe de uma das maiores tribos líbias.

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