Novos rumos para os países do bloco

Nesta semana, estará sendo realizada em Fortaleza a sexta reunião presidencial dos Brics, precedida de reunião de ministros responsáveis pelo comércio, ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais.

Rubens Barbosa, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2014 | 02h02

Os primeiros cinco anos do grupo serviram para um aprofundamento do conhecimento entre os cinco países-membros por meio de uma série de reuniões entre diferentes órgãos governamentais. Na vertente governamental, o grupo desenvolveu uma ampla coordenação em foros internacionais (G-20, FMI, Banco Mundial e Nações Unidas), ampliou a cooperação intra-Brics em 30 setores (em agricultura, saúde, ciência e tecnologia, cooperativas, educação, assessores de segurança nacional) e agora na área financeira.

Do ponto de vista do Brasil, a inclusão do País ao lado de China, Índia e Rússia talvez tenha sido o fator individual de maior relevância para projetá-lo externamente. Nenhuma campanha de divulgação do Brasil conseguiria essa façanha de marketing em tão curto espaço de tempo.

Aceita a premissa de que o Brasil é o país que mais se beneficiou com a criação do acrônimo e o que tem mais a ganhar no futuro, dada a significativa companhia de que desfruta, os formuladores da política externa brasileira no futuro governo, seja ele qual for, deveriam atuar no sentido de favorecer maior presença política dos Brics no cenário internacional, procurar extrair maior ganho possível da existência do grupo e definir o papel do Brasil nos Brics com base em análises realistas e não ufanistas sobre o que seria possível ser feito.

Ao fim do encontro de Fortaleza, haverá uma declaração presidencial, que tratará dos temas que concentraram a atenção dos chefes de Estado: crescimento com inclusão social e soluções sustentáveis.

Espera-se que sejam discutidos temas sensíveis como as crises no Oriente Médio e na Ucrânia, bem como o pagamento em moeda local no comércio e nos investimentos dentro do grupo. Serão também assinados três acordos: sobre agências de seguro de crédito a exportação, sobre a criação do novo Banco de Desenvolvimento dos Brics e o Tratado de Criação do Arranjo Contingente de Reservas, as primeiras decisões concretas tomadas pelos Brics.

O banco de desenvolvimento, com sede na China, terá aporte inicial de US$10 bilhões. Cada membro ficará responsável por um quinto desse montante. Outros US$ 40 bilhões estarão disponíveis em garantias dadas por esses países, na linha do que ocorre com o Banco Mundial.

A função do banco será financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável. O Arranjo Contingente de Reservas, com capital de US$ 100 bilhões - sendo US$ 41 bilhões da China, US$ 18 bilhões do Brasil, da Rússia e da Índia e US$ 5 bilhões da África do Sul - é uma espécie de fundo compartilhado de reservas internacionais que poderá ser utilizado como linha de "defesa adicional dos países contra eventuais crises em seus balanços de pagamento".

*Rubens Barbosa é presidente do Conselho de Comércio Exterior da Fiesp

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