NSA e CIA espionaram eleições francesas de 2012, diz WikiLeaks

NSA e CIA espionaram eleições francesas de 2012, diz WikiLeaks

Agências de inteligência americanas queriam detalhes sobre as relações do ex-presidente Nicolas Sarkozy com assessores, seus meios de financiamento e detalhes de outros 'candidatos emergentes' ao Palácio do Eliseu 

Andrei Netto / Correspondente, Paris, O Estado de S. Paulo

16 Fevereiro 2017 | 20h32

Documentos obtidos pelo website Wikileaks, mantido pelo ativista Julian Assange, indicam que a Agência de Segurança Nacional (NSA) espionou a pedido da CIA as eleições francesas de 2012, que resultaram na vitória do atual presidente, o socialista François Hollande. 

O pedido de esclarecimentos envolvia pontos sobre as relações entre o então presidente, Nicolas Sarkozy, e seus assessores e correligionários, mas também sobre "candidatos emergentes" e sobre suas visões a respeito de política internacional e economia. As revelações foram feitas nesta quinta-feira, 16, pelo jornal Libération e pelo website Mediapart, na França, e pelo jornal La Repubblica, na Itália.

Segundo os documentos, a CIA desejava conhecer as "interações entre Sarkozy e seus conselheiros", as principais fontes de financiamento dos candidatos ou as alianças de bastidores realizadas no interior dos partidos, em especial a União por um Movimento Popular (UMP, atual partido Republicanos).

As questões são referentes a uma determinação geral de "observar de muito perto a eleição presidencial" realizada em abril e maio de 2012. Os documentos do Wikileaks, no entanto, não fazem referência aos meios utilizados, nem se foram legais ou ilegais, para buscar as informações.

Essas eleições francesas foram marcadas por um escândalo internacional: a prisão do então diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, em Nova York, acusado de crime sexual. O economista se preparava para renunciar ao cargo e lançar sua candidatura ao Palácio do Eliseu pelo Partido Socialista (PS), mas acabou impedido de participar da primária da legenda.

Então as suspeitas de complô contra Strauss-Kahn afloraram na França. Mas o documento obtido pelo Wikileaks com o pedido de espionagem feito pela CIA à NSA data de 17 de novembro de 2011, portanto posterior ao escândalo envolvendo o socialista, ocorrido em 14 de maio do mesmo ano.

Hoje, o Ministério do Interior, órgão responsável pela realização das eleições na França e superior hierárquico da Direção-geral de Segurança Interior (DGSI), serviço secreto responsável pela contra-espionagem na França, se recusou a comentar o tema. A Secretaria Geral de Defesa e de Segurança Nacional (SGDSN), órgão subordinado ao primeiro-ministro, que tem funções semelhantes, também não se manifestou.

Vazamentos de documentos da NSA também já revelaram que no mesmo período os serviços secretos americanos espionaram o Palácio do Eliseu, realizando escutas telefônicas clandestinas a partir de um centro instalado no último andar da embaixada dos Estados Unidos em Paris.

 

Mais conteúdo sobre:
François Hollande

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.