NSA espionou até o papa, afirma revista italiana

A espionagem norte-americana não teria poupado nem os cardeais da Igreja Católica, segundo a revista italiana Panorama. De acordo com o semanário, a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA, na sigla em inglês) interceptou telefonemas de diversos cardeais, entre eles o argentino Jorge Mario Bergoglio, pouco antes de ele ser eleito papa.

AE, Agência Estado

30 de outubro de 2013 | 16h25

A revelação da Panorama vem à tona depois de o site Cryptome ter noticiado que a espionagem dos EUA interceptou 46 milhões de telefonemas na Itália entre dezembro de 2012 e janeiro de 2013. "Aparentemente há também ligações do e para o Vaticano" e a NSA "espionou o papa", enfatiza a semanal.

"Há temores de que (...) os norte-americanos tenham continuado a escutar as conversas dos prelados até a véspera do conclave", inclusive aquelas envolvendo o futuro papa Francisco, prossegue a revista.

O conclave papal é um acontecimento historicamente cercado de segredo. Quando os cardeais católicos fecham-se na Capela Sistina para escolher um novo líder para a Igreja, um moderno sistema é instalado com os objetivos de impedir qualquer comunicação dos prelados com o mundo exterior e também que o local seja alvo de escutas clandestinas.

Citado pela emissora Al Jazeera, o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, disse que não é de conhecimento da Santa Sé a informação de que os cardeais teriam sido espionados. "Não estamos preocupados com isso", declarou.

A Panorama lembra que Bergoglio é considerado uma "pessoa de interesse" pelos serviços de espionagem norte-americana pelo menos desde 2005, segundo revelações feitas pelo WikiLeaks, plataforma dedicada ao vazamento de informações secretas que liberou ao público centenas de milhares de telegramas diplomáticos dos EUA.

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