Carlos Garcia Rawlins | REUTERS
Carlos Garcia Rawlins | REUTERS

Número 2 chavista diz que Macri é ‘fascista’

Presidente eleito da Argentina prometeu buscar suspensão da Venezuela do Mercosul

Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2015 | 22h56

O número 2 do chavismo, Diosdado Cabello, chamou nesta quinta-feira de fascista o presidente eleito da Argentina, Mauricio Macri, ao referir-se à intenção que ele manifestou de pedir a suspensão de Caracas do Mercosul por violações à democracia.

O argentino assume o poder no dia 10, quatro dias depois de eleições parlamentares na Venezuela em que a oposição parece como favorita. Macri prometeu reiteradas vezes, desde que venceu o governista Daniel Scioli no domingo, pedir o uso da cláusula democrática do Mercosul para punir Caracas.

Ele mencionou antes da eleição que faria a denúncia caso não houvesse liberação de presos políticos como Leopoldo López, condenado a 14 anos de prisão, cuja mulher, Lilian Tintori, esteve em Buenos Aires na festa da coalizão de centro-direita Cambiemos.

Para haver uma suspensão de Caracas, é preciso unanimidade entre os integrantes do bloco. Brasil e Uruguai dão sinais de que não apoiam a iniciativa. A equipe de diplomatas que assessora Macri e políticos aliados consideram que ele só levará adiante a promessa se a votação venezuelana não for respeitada. Depois de um pedido de Macri para que Brasília mude de posição, integrantes do governo brasileiro associaram a pressão à recente campanha eleitoral argentina.

Opinião semelhante tem o analista político venezuelano Luis Vicente León, do Instituto Datanális. “É um presidente que quer marcar diferença em relação a sua antecessora, uma jogada política. Não acho que ele concretize sua promessa”, avalia.

“Quanto ao uso do termo fascista, já estamos acostumados na política venezuelana. Poderia dizer que é uma ofensa light”, acrescenta.

Presidente do Parlamento, Diosdado dedicou mais tempo de seu programa Con el mazo dando a criticar o futuro presidente argentino. “Ele pensou que tinha ganho a eleição na Venezuela. Você foi eleito presidente argentino. Deixe quieto o presidente da Venezuela. Não se meta conosco. Nós não nos metemos com ninguém, mas não deixamos que ninguém se mete conosco, senhor Macri”, afirmou Diosdado.

Precedente. Em 2012, a presidente Cristina Kirchner acusou Macri, prefeito de Buenos Aires desde 2007, de autoritarismo por colocar no ar um serviço de 0800 para denúncias contra atividades políticas nas escolas do município. “Não somos um país fascista. Gostamos de discutir política no colégio, na universidade e na rua”, afirmou Cristina.

O governo municipal havia punido então professores que fizeram uma imitação de Macri. O hoje presidente eleito denunciava a presença do grupo juvenil kirchnerista La Cámpora nas escolas. “Estou a favor do 0800 para que os moradores denunciem o que ocorre nas escolas. Acho que a população não gosta que sejam usados recursos do Estado para doutrinar as crianças”, afirmou.

“Há dirigentes que sempre criticaram regimes autoritários, mas adotam práticas similares ao stalinismo, que espionava e alimentava a denúncia do outro”, respondeu Cristina.

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