REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
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Número 2 do chavismo rechaça encontro com deputados europeus que visitam Caracas

Diodado Cabello afirma em seu programa na TV estatal que só no dia em que 'sapos tiverem pelos' ele se encontrará com políticos que 'se intrometem' em assuntos venezuelanos

O Estado de S. Paulo

05 de novembro de 2015 | 13h24

CARACAS - O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela e número dois do chavismo, Diosdado Cabello, descartou na quarta-feira receber três deputados do Parlamento europeu que visitam o país nessa semana, um mês antes das eleições legislativas, e os qualificou de "imorais".

"Vou recebê-los no dia em que sapos tiverem cabelos. Não são bem vindos esses eurodeputados que estão aqui para se intrometer em assuntos da Venezuela", disse Cabello no programa semanal que apresenta nas emissoras estatais do país.

O presidente da Assembleia disse que a visita dos deputados é uma forma de a oposição "envolver-se com políticos imorais, que não tem que querer nada na Venezuela". "Eles ainda acreditam que a Venezuela é uma colônia", afirmou Cabello.

Na quarta-feira, chegaram a Caracas os deputados espanhóis Fernando Maura e Gabriel Mato. Estava prevista para esta quinta-feira a chegada do também espanhol Ramón Jáuregui para participar de uma avaliação da situação política do país e preparar a chegada de uma comissão maior da Câmara europeia.

"Lamento profundamente não poder ouvir a opinião do sr. Cabello, que é um representante muito importante, porque o nosso objetivo é ter o máximo de opiniões possíveis", disse Maura em entrevista por telefone à AFP, depois de ficar sabendo dos comentários do número dois do chavismo.

Maura disse também que além de pedir uma reunião com o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, deve encontrar=se com dirigentes da Mesa da Unidade Democrática (MUD), a principal coalizão opositora do país, e com o núncio apostólico, Aldo Giordano.

O deputado afirmou que se não tiverem permissão das autoridades, os políticos europeus não viajarão até o presídio militar de Ramo Verde, nos arredores de Caracas, onde planejam visitar o líder opositor Leopoldo López, que está preso desde 2014 e foi condenado a quase 14 anos de prisão em razão dos protestos antigovernamentais do ano passado.

Na sexta-feira, eles também tentarão se encontrar com o prefeito metropolitano de Caracas, Antonio Ledezma, que cumpre prisão domiciliar depois de ser preso em um processo por suposta conspiração. / AFP e EFE

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