EFE/EPA/ROBERT GHEMENT (04/11/2021)
EFE/EPA/ROBERT GHEMENT (04/11/2021)

Número de casos de covid na Europa volta a disparar e preocupa OMS

Organização aponta que continente está em um 'ponto crítico' da pandemia, com casos em níveis quase recordes e previsão de mais de 500 mil mortes até fevereiro

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2021 | 15h00
Atualizado 04 de novembro de 2021 | 19h29

A cobertura vacinal desigual e um relaxamento das medidas preventivas levaram a Europa a um "ponto crítico" da pandemia, disse a Organização Mundial de Saúde, com casos novamente em níveis quase recordes e 500.000 mortes previstas até fevereiro.

Hans Kluge, diretor da OMS para a Europa, disse que todos os 53 países da região estão enfrentando "uma ameaça real do ressurgimento da covid-19 ou já a combatem" e exortou os governos a reimpor ou continuar com medidas sociais e de saúde pública. "Estamos, mais uma vez, no epicentro de uma onda de covid", afirmou.

Segundo a OMS, o número de casos na Europa e na Ásia Central aumentou 6% em uma semana, e as mortes 12%, com novas infecções diárias aumentando em 55% no mês passado. A Europa e a Ásia Central combinadas agora respondem por 59% de todos os casos confirmados globalmente e quase metade de todas as mortes.

O mais alarmante foi o rápido aumento de infecções e mortes em grupos populacionais mais velhos, com as taxas de internação mais do que dobrando em uma semana e 75% dos casos fatais ocorrendo agora em pessoas com 65 anos ou mais, segundo a OMS.

"Se mantivermos essa trajetória, poderemos ver mais meio milhão de mortes por covid-19 na Europa e na Ásia Central até primeiro de fevereiro do próximo ano, e 43 países em nossa região enfrentarão ocupação de alta a extrema em leitos hospitalares", ele disse.

A Alemanha é um dos países que registrou nesta quinta-feira um novo recorde de casos de covid-19, superando uma marca que havia sido estabelecida em dezembro de 2020. Segundo as autoridades de saúde do país, 33.949 contágios e 165 mortes foram confirmados nas últimas 24 horas.

O recorde foi quebrado um dia depois de o ministro da Saúde, Jens Spahn, ter afirmado que a Alemanha estava vivendo uma "pandemia de não vacinados" e que a quarta onda de casos no país estava avançando com "força total".

Spahn se reunirá com autoridades de saúde dos governos estaduais nesta quintafeira para definir uma estratégia de combate ao vírus durante o inverno europeu. Eles discutirão a campanha de reforço vacinal na Alemanha e a possibilidade de reintroduzir restrições se a nova onda de casos continuar avançando.

A campanha de vacinação contra a covid-19 na Alemanha está atrasada em relação a outros países da Europa. De acordo com o RKI, 66,5% dos alemães estão totalmente vacinados, muito aquém dos 90% de Portugal ou dos 80% da Espanha, por exemplo.

Ao falar da "pandemia de não vacinados" na quarta-feira, Spahn sugeriu que o governo pode adotar novas restrições, como impedir que aqueles que não se imunizaram entrem em locais como lojas e restaurantes. Até agora, a Alemanha tem sido mais flexível que alguns de seus vizinhos, como França e Itália, que estão usando amplamente os chamados certificados de vacinação.

A OMS disse que a cobertura vacinal insuficiente e o relaxamento das medidas sociais e de saúde pública são os culpados. Com um bilhão de doses agora administradas na Europa e na Ásia Central, as vacinas estavam salvando "milhares e milhares" de vidas.

Mas enquanto 70% das pessoas em alguns países estão totalmente vacinadas, há países com apenas 10% de vacinados. "Onde a absorção da vacina é baixa, em muitos países do Báltico, Europa Central e Oriental e nos Bálcãs, as taxas de internação hospitalar são altas", disse Kluge.

As autoridades devem acelerar as campanhas de vacinação, incluindo vacinas de reforço para grupos de risco, disse ele: "A maioria das pessoas hospitalizadas e morrendo de covid-19 hoje não estão totalmente vacinadas".

Mas medidas de saúde pública, como teste e rastreamento, e medidas sociais, como uso de máscara e distanciamento, são igualmente vitais, segundo a OMS. Segundo Kluge, se 95% das pessoas usassem máscaras na Europa e na Ásia central "isso poderia poupar até 188 mil vidas da estimativa de meio milhão de mortos qté fevereiro".

Quando aplicadas "de forma correta e consistente", as medidas preventivas "permitem que continuemos com nossas vidas, não o contrário", disse Kluge. "As medidas preventivas não privam as pessoas da liberdade, elas garantem-na". A aprovação da covid com comprovação de vacinação deve ser vista como "uma ferramenta coletiva para a liberdade individual".

“Com o ressurgimento generalizado do vírus, estou pedindo a todas as autoridades de saúde que reconsiderem cuidadosamente a flexibilização ou suspensão das medidas neste momento.” Ele disse que mesmo em países com altas taxas de vacinação, a falta de cuidados de prevenção poderia atrapalhar.

"A mensagem sempre foi: faça tudo", disse Kluge. "As vacinas estão cumprindo o que foi prometido: prevenir as formas graves da doença e especialmente a mortalidade ... Mas elas são nosso ativo mais poderoso apenas se usadas em conjunto com a saúde pública e medidas sociais."

Catherine Smallwood, oficial sênior de emergência da OMS na Europa, disse que os países que suspenderam as medidas preventivas, experimentaram um surto de infecções.

A vacinação ajudou que eles não tenham "as mesmas taxas de hospitalização ou mortalidade que esperaríamos de outra forma", disse ela. "No entanto, quanto mais casos você tiver, mais pessoas acabarão no hospital e mais pessoas acabarão morrendo. Portanto, há uma explicação muito simples para o que está acontecendo. Temos muitos indivíduos suscetíveis, incluindo em países com alta vacinação, e isso está levando a surtos imprevisíveis de covid-19. Não é onde queremos estar agora". / NYT, W.POST, AFP e REUTERS

 

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