Número de civis mortos na guerra do Afeganistão sobe 24%

ONU adverte também que mortes devem aumentar no restante do ano, já que Taleban manterá resistência

Efe e Reuters,

31 de julho de 2009 | 11h50

O número de civis assassinados na guerra no Afeganistão aumentou 24% nos primeiros seis meses deste ano em relação ao mesmo período de 2008, segundo denunciou nesta sexta-feira, 31, as Nações Unidas. Em comparação com 2007, o número de mortos é quase 50% superior. A ONU adverte também que o número de civis mortos deve aumentar ainda mais no restante do ano, já que as forças do Taleban tentarão resistir e contra-atacar à ofensiva liderada pelo governo de Barack Obama e promover ações antes das eleições em agosto.

 

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Segundo os dados da Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (Unama), no primeiro semestre do ano morreram 1.013 civis por causa dos combates nesse país. "Tanto as forças antigovernamentais como as governistas são responsáveis pelo aumento do número de vítimas civis", assinala o relatório. No entanto, especifica que "a oposição armada cria mais vítimas civis do que as forças de segurança afegãs ou os militares internacionais". Em 10% das mortes não se pode estabelecer quem foi o autor ou o grupo que a causou.

 

O número global de vítimas aumentou devido a uma intensificação do conflito e tanto as forças governistas como as antigovernamentais causaram mais vítimas do que no ano passado, mas diminuiu a percentagem de mortes atribuídas aos exércitos regulares. A Unama lembra que os ataques aéreos são a principal causa de morte de civis atribuídas às forças aliadas, e que nos primeiros seis meses do ano 40 ataques aéreos mataram 200 pessoas.

 

Sobre as vítimas da insurgência, das 595 mortes produzidas no primeiro semestre, 400 devidas ao uso indiscriminado de explosivos e ataques suicidas. Este número representa 67% das mortes atribuídas à oposição armada. Em relação ao conteúdo do relatório, a alta comissária para os Direitos Humanos, Navi Pillay, disse: "Todas as partes envolvidas no conflito deveriam tomar as medidas necessárias para proteger os civis, e se assegurar de que haverá investigação e justiça independente para as vítimas".

 

Mês mais violento

 

Um soldado norte-americano foi morto num enfrentamento com insurgentes no sul do Afeganistão, aumentando para 40 o número de militares dos EUA mortos no pior mês para as tropas estrangeiras no país, informou o Exército nesta sexta-feira.

 

Em julho, os Estados Unidos tiveram de longe o maior número de óbitos em oito anos de guerra. O segundo pior mês para as tropas dos EUA foi setembro de 2008, quando 26 combatentes morreram. Ao todo, pelo menos 70 soldados estrangeiros foram mortos este mês no Afeganistão.

 

A Grã-Bretanha sofreu o maior número de perdas em batalha desde a Guerra das Malvinas em 1980, com 22 soldados mortos no mês, elevando seu total de perdas no Afeganistão para 191. O número supera em 12 mortes o total de óbitos britânicos na Guerra do Iraque.

 

Os ataques ocorreram após centenas de tropas norte-americanas e britânicas terem lançado neste mês a maior operação no sul, na província de Helmand, um local de forte influência do Taleban e centro de produção de ópio do Afeganistão. "Nós acreditamos que o retorno da segurança nestas áreas não será atingida sem sacrifício", disse o contra-almirante norte-americano Greg Smith, porta-voz chefe das forças da Otan e dos Estados Unidos no Afeganistão.

 

(Com Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo)

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