REUTERS/Enrique de la Osa
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Número de cubanos que migram para EUA aumenta após retomada das relações

Entre outubro de 2014 e junho de 2015, 27.296 cubanos entraram no território americano, o que representa um aumento de 78% em relação ao mesmo período de 2014

O Estado de S. Paulo

08 Outubro 2015 | 12h33

WASHINGTON - O número de cidadãos cubanos que migraram para os Estados Unidos nos últimos meses disparou, coincidindo com o restabelecimento de relações diplomáticas entre ambos os países anunciado em dezembro de 2014, segundo dados divulgados na quarta-feira pelo Pew Research Center.

Entre outubro de 2014 e junho de 2015, 27.296 cubanos entraram nos EUA, de acordo com números concedidos à instituição pelo Escritório de Alfândegas e Proteção Fronteiriça dos Estados Unidos. O número representa um aumento de 78% em relação ao mesmo período de 2014, quando 15.341 cubanos entraram no país.

O grande aumento no número de cubanos que abandonaram a ilha para chegar aos EUA aconteceu nos meses imediatamente posteriores ao anúncio do restabelecimento de relações, entre janeiro e março de 2015.

Somente nesses 3 meses, 9.371 cubanos chegaram aos EUA, mais que o dobro dos 4.296 registrados ao longo dos três primeiros meses de 2014.

Cerca de dois terços dos imigrantes cubanos entraram no território americano pelo Texas através do México, o que representa um aumento de 66% nas entradas por essa região em relação ao ano anterior.

De acordo com a Lei de Ajuste Cubano de 1966, os cubanos que migram para os EUA recebem um tratamento especial, a partir do qual têm mais facilidades que os imigrantes de outras nacionalidades. Após um ano de residência no país, os cubanos podem solicitar residência permanente.

No entanto, nem todos os cubanos que desejavam entrar nos EUA conseguiram, e a guarda costeira americana apreendeu 2.927 imigrantes que tentavam chegar por via marítima entre outubro de 2014 e junho de 2015. Eles foram encaminhados de volta a Cuba ou foram enviados a outros países caso alegassem que eram perseguidos pelo regime da ilha.

Calcula-se que dois milhões de pessoas de ascendência cubana vivem nos Estados Unidos atualmente.

Embargo. A secretária de Comércio dos EUA, Penny Pritzker, disse na visita que fez na quarta-feira a Cuba que ambos os lados precisam aprender mais sobre cada um enquanto trabalham para melhorar as relações.

Ela ainda reiterou que o presidente americano Barack Obama quer derrubar o embargo à ilha, mas alertou que isso não acontecerá rapidamente. “O presidente quer levantar o embargo, mas ele entende que levará um tempo”, disse.

Penny destacou também que o sistema de dupla moeda de Cuba é um desafio para os interesses comerciais externos e que a regulação da ilha não é adequada para atrair muitos investimentos. /EFE e ASSOCIATED PRESS

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