REUTERS/Jose Luis Gonzalez
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Número de estupros contra mulheres deportadas pelos EUA aumenta 134%

Relatório da organização Médicos sem Fronteiras mostra que ao menos 277 imigrantes sofreram violência sexual em cidades violentas na fronteira do México

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2020 | 05h30

CIDADE DO MÉXICO - O número de estupros contra imigrantes mais do que dobrou depois que os Estados Unidos começaram a enviá-los a cidades violentas na fronteira do México, indicou um levantamento da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF).

Conforme relatório No Exit (“Sem Saída”), apresentado na terça-feira, 11, pela entidade, nos primeiros nove meses de 2019, o número de casos de violência sexual atendidos pelo MSF contra imigrantes nessas cidades saltou de 118 para 277, um aumento de 134%, se comparado com o mesmo período de 2018.

Em janeiro de 2019, os Estados Unidos firmaram os chamados Protocolos de Proteção aos Migrantes (MPP, na sigla em inglês) com o México. No documento, ficou acertado que os imigrantes que pedissem asilo nos EUA deveriam esperar pelo processamento de suas solicitações no México. 

O MSF está pedindo que o governo de Donald Trump suspenda “imediatamente” o programa. “Tive uma paciente que sofreu vários abusos. Depois disso, ela não deixava que ninguém se aproximasse”, disse um médico, em relato que consta no documento do MSF.

As mulheres pesquisadas tinham migrado da Guatemala, de Honduras e de El Salvador. Algumas cidades para onde os imigrantes são enviados – como Nuevo Laredo e Matamoros, no Estado de Tamaulipas – são consideradas pelo Departamento de Estado dos EUA como tão inseguras quanto o Iraque ou o Afeganistão. De acordo com o relatório, em Nuevo Laredo, médicos presenciaram o sequestro de imigrantes na porta de abrigos e em pontos de ônibus. 

Além disso, segundo relatório da Human Rights Watch, publicado esta semana, 138 imigrantes salvadorenhos foram assassinados em El Salvador desde 2013 após serem deportados dos EUA. Entre 2014 e 2018, o governo americano deportou 11 mil salvadorenhos. /AFP

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