REUTERS/Lucy Nicholson
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Número de execuções no mundo caiu 37% em 2016, diz Anistia

Relatório anual da organização, que não inclui os dados da China - mantidos em segredo por Pequim -, afirma que 1.032 pessoas foram mortas em todo o mundo em comparação com as 1.634 do ano anterior

O Estado de S.Paulo

11 Abril 2017 | 04h13
Atualizado 11 Abril 2017 | 13h02

PEQUIM - O número de execuções em todo o mundo caiu 37% em 2016, excluindo as cifras de China, cujos dados são segredos de Estado, segundo o relatório anual da organização Anistia Internacional (AI) publicado nesta terça-feira, 11.

Excluindo a China, todos os países do mundo executaram 1.032 pessoas em 2016, menos que as 1.634 do ano anterior, segundo a organização. A queda aconteceu principalmente em razão do menor número de execuções em Irã e Paquistão, com 42% e 73% menos execuções respectivamente.

A AI calcula que a China executa um número maior de pessoas que os demais países combinados, mas não pode dar com precisão uma cifra devido à falta de transparência de Pequim. "O terrível uso da pena capital na China continua sendo um dos segredos letais do país", destacou a AI em seu relatório, que este ano é acompanhado de uma pesquisa em profundidade sobre o uso desta pena na segunda maior economia mundial.

Enquanto outros países recorrem cada vez menos à pena de morte, a China é considerada um caso a parte, afirmou o diretor da Anistia Internacional para o Leste Asiático, Nicholas Bequelin. A comunidade internacional pressiona há anos a China para que o país limite o uso da pena de morte, que alcançou seu ponto mais alto em 1983, com 24 mil casos, depois que as cortes das províncias receberam autoridade para adotar também esse tipo de sentença, segundo o grupo de direitos humanos Dui Hua. 

Junto com a China, os países com maior número de execuções são Irã, Arábia Saudita, Iraque e Paquistão. Pela primeira vez desde 2006 os Estados Unidos não estão nos primeiros cinco lugares da lista - o número de execuções nos EUA no ano passado (20) não era registrado desde 1991.

Além disso, o número de condenações à morte (32) foi o mais baixo desde 1973, o que, na opinião da organização, é um claro sinal de que o poder judicial "está virando as costas" para a pena capital. Apesar disso, a AI adverte de que ainda há 2.832 pessoas no corredor da morte na maior potência mundial e alerta para um possível aumento este ano.

"As execuções (nos EUA) podem voltar com força em 2017. O terrível número de execuções programadas para um período de dez dias em Arkansas em abril é um claro exemplo de quão rápido a situação pode mudar", segundo o grupo.

A AI também alerta da situação em Vietnã e Malásia, onde até agora se pensava que havia um número de execuções menores. / EFE e AP

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