Número de feridos na explosão em Israel sobe para 86

Uma explosão ocorrida no fim da noite desta sexta-feira deixou 17 mortos em Tel Aviv, inclusive o militante suicida que se misturou aos jovens em frente a uma discoteca, informou a polícia israelense. O Canal 2 da tevê israelense informou que o número de feridos subiu para 86. A explosão ocorreu em frente à discoteca Pascha, situada em uma área da cidade repleta de restaurantes, bares e hotéis. A calçada estava lotada de israelenses, entre os quais muitos jovens, desfrutando o início do fim de semana de sabá. "O terrorista explodiu em frente à entrada da discoteca, onde havia muitas pessoas em volta", disse David Klausner, vice-comandante da polícia de Tel Aviv. Muitos carros estacionados em frente à discoteca foram danificados pela explosão, tendo seus vidros quebrados e a lataria manchada de sangue. "Eu estava entrando (na discoteca). De repente eu olhei na direção da explosão e vi as pessoas recuando", disse Dudi Nachum, de 21 anos. "Vi um pedaço de um cérebro e coisas que nunca tinha visto antes." A discoteca está localizada na região do antigo aquário de Tel Aviv, na orla marítima da cidade. Uma testemunha relatou à Rádio de Israel que o atacante estava no meio de um grupo de pessoas esperando para entrar na discoteca. "Eu vi a mão de uma pessoa e um cérebro", disse Ilan Amos, de 35 anos. "Não sei como explicar isso a você. Dói no coração." O superintendente da polícia de Tel Aviv, Uri Bar Lev, informou que o número de mortos subiu de 15 para 17. O chefe de polícia Shlomo Aronishky disse a emissoras de tevê locais que "alguns suspeitos foram presos". Ele não se aprofundou. Uma ordem de sigilo foi imposta sobre as investigações. Após a explosão, a polícia fechou os bares e casas noturnas da área. Trinta ambulâncias foram enviadas ao local da explosão, que aconteceu por volta das 23h locais. Helicópteros sobrevoavam a área e policiais vasculhavam os carros estacionados mas próximidades em busca de mais explosivos. Os corpos de pelo menos sete vítimas fatais estavam isolados na calçada, cobertos por pedaços de pano. Motoristas em pânico deixavam o local do incidente em alta velocidade. Ninguém assumiu imediatamente responsabilidade pelo atentado, mas nos últimos meses de confrontos entre israelenses e palestinos, militantes islâmicos já promoveram mais de uma dúzia de ataques semelhantes. O ataque desta sexta-feira foi o incidente com mais mortos no atual conflito. O grupo militante islâmico Hamas havia anunciado que iria perpetrar pelo menos 10 atentados suicidas à bomba, e até agora já havia assumido responsabilidade por oito. Um porta-voz do Hamas, Abdel Aziz Rantisi, declarou: "Este tipo de operação é um direito do povo palestino, de aterrorizar seus inimigos." Ele ressaltou não ter a confirmação de que o Hamas perpetrou o atentado. O grupo militante palestino Jihad Islâmica também não sabia dizer quem foi responsável pelo atentado, de acordo com o porta-voz Abdul Hakim Salim. Forças de segurança israelenses têm estado em alto alerta, mas não estão sendo capazes de bloquear a fronteira com a Cisjordânia e evitar infiltrações.Na manhã deste sábado (pelo horário local), o Exército anunciou que foi reforçado o fechamento na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, que na semana passada proclamou um cessar-fogo rejeitado como propaganda pelos palestinos, estava organizando para este sábado uma reunião de emergência de seu gabinete para lidar com a situação, disse o assessor Raanan Gissin. "Pretendemos manter o cessar-fogo pelo máximo tempo possível", disse Gissin. Mas avisou: "Na hora certa e no lugar certo, colocaremos em prática as ações adequadas." Segundo ele, Israel está comprometido com a paz. "Israel quer assumir compromissos pela paz, e até mesmo se controlar. Mas uma coisa que nosso governo nunca fará será comprometer a segurança de seu povo." O ministro da Defesa, Binyamin Ben-Eliezer, classificou a explosão como "um dos mais cruéis e desumanos ataques terroristas que já testemunhamos em Israel", disse o porta-voz Yarden Vatikay. "E foi perpetrado em um momento no qual Israel está fazendo seus maiores esforços para conter a violência e acabar com os confrontos. Para nós, parece que Arafat e a Autoridade Palestina estão levando a região a um distúrbio." O presidente do parlamento palestino, Ahmed Qureia, expressou a posição contrária da Autoridade Palestina com relação ao assassinato de civis em ambos os lados do conflito. Mas sublinhou: "Não há como acabar com o ciclo de violência se o governo de Israel não responde aos pedidos e aos convites da comunidade internacional para encerrar a agressão praticada contra o povo palestino." O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, pediu ao líder palestino, Yasser Arafat, que condene o atentado e convoque um cessar-fogo imediato. Desde o início da atual onde de confrontos, em 28 de setembro de 2000, 483 pessoas morreram no lado palestino e 88 no israelense. Com o incidente desta noite, o número de palestinos mortos sobe para 484. O de israelenses eleva-se para 104.

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