AFP PHOTO / ATTILA KISBENEDEK
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Número de imigrantes pelo Mediterrâneo ultrapassa 300 mil pessoas

Novo recorde é atingido, faltando quatro meses para terminar o ano

Jamil Chade, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S. Paulo

28 de agosto de 2015 | 08h08

GENEBRA – A ONU alerta que, pela primeira vez, o número de estrangeiros cruzando o mar Mediterrâneo para chegar à Europa supera a marca de 300 mil pessoas, faltando ainda quatro meses para o final de 2015.

Cerca de 200 mil estrangeiros chegaram na costa da Grécia entre janeiro e agosto, contra mais de 110 mil na Itália.  Em todo o ano de 2014, 210 mil pessoas cruzaram o mar. 

Os dados também apontam que as mortes caminham para bater todos os recordes. Antes do incidente na quinta-feira com mais dois barcos naufragados na costa da Líbia, 2,5 mil pessoas já haviam perdido suas vidas nas embarcações. Para todo o ano de 2014, o número de mortes foi 3,5 mil. 

Ontem, centenas poderiam ter morrido em um barco na costa da Líbia que afundou tentando chegar na Itália. 

As mortes ocorreram no mesmo dia em que os líderes europeus se reuniam em Viena para debater uma estratégia para lidar com o êxodo massivo de africanos, árabes e outras populações que tentam escapar da guerra e da miséria. Sem uma política comum, porém, os governos europeus repetiram ontem acusações mūtuas, enquanto empurram as populações de imigrantes de um lado a outro no continente. 

Dois barcos levando centenas de pessoas da cidade líbia de Zuwara teriam afundado logo depois de partir em direção à Europa, com africanos, sírios e imigrantes de Bangladesh. No primeiro deles, 50 pessoas estavam à bordo. No segundo, mais de 400.

Cerca de cem deles poderiam ter sobrevivido. "A ONU acredita que cerca de 200 pessoas possam ter morrido", declarou Melissa Fleming. "Isso mostra que o movimento de barcos continua, apesar das operações de resgate da UE. A rota ainda está ativa e a forma em que essas pessoas estão colocadas nos barcos é que causa as mortes", alertou.

Parte das mortes ocorre por asfixiamento. Em outro barco encontrado nesta semana, 51 corpos foram achados em um porão. Um dos sobreviventes, Abdel, sudanês de 25 anos, contou aos funcionários da ONU que os traficantes forçaram os imigrantes que não pagassem um valor extra a ficar nos porões.

Para permanecer no deck do barco, uma família precisaria gastar 3 mil euros. Abdel contou que era obrigado a respirar pelas frestas do barco. 

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