Anders Wiklund/Scanpix/Reuters
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Número de jornalistas mortos em 2012 já ultrapassa 100

Domingo, na capital da Somália, um cinegrafista tornou-se a 100ª vítima em 2012; uma morte a cada 62 horas

GABRIEL MANZANO, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2012 | 03h07

GENEBRA - Guerras na Síria e na Somália, conflitos no Paquistão e na Nigéria, crime organizado no México, violência urbana e impunidade por toda parte. Essa receita, vivida diariamente por jornalistas em todo o planeta, resultou num recorde: 100 profissionais de mídia mortos neste ano, segundo a ONG suíça Press Emblem Campaign (PEC), de Genebra. A 100.ª vítima, o cinegrafista Mohamed Moallin, levou dois tiros em um subúrbio de Mogadíscio, capital somali, no domingo.

 

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A conta dá um jornalista morto a cada 62 horas nos primeiros 260 dias de 2012. O recorde da PEC, que faz esse trabalho desde 2006, era de 122 baixas no ano inteiro de 2009, que representaram uma a cada 72 horas. Na lista, que inclui 21 países, quatro respondem por mais da metade desses crimes: Síria, com 20 vítimas, México e Somália com 10 cada, e o Brasil com 7.

 

Critérios

 

Embora exiba a lista completa - dia, lugar e nome da vítima - a PEC não utiliza os mesmos critérios de outras entidades que acompanham o assunto, o que resulta em dados diferentes. A conta pode incluir operadores de câmeras, técnicos de som e os chamados "netizens" (junção de internet + citizen), não necessariamente jornalistas profissionais, mas que se encarregam de divulgar, pela rede, informações das áreas de conflito onde vivem.

Há ONGs que exigem mais de duas fontes para confirmar o crime ou que aguardam investigação oficial para ter certeza de que ele foi, de fato, relacionado à busca de notícias. Por isso, o International News Safety Institute (Insi), por exemplo, contou até agora 90 jornalistas assassinados no ano. A ONG Repórteres Sem Fronteira registrou 68. O Comitê de Proteção aos Jornalistas (CPJ), de Nova York, conta 64 vítimas.

De qualquer modo, os números são altos e o assunto já chegou à agenda do presidente da Assembleia-Geral da ONU, Abdulaziz al-Nasser. Em encontro com várias dessas entidades, há uma semana, ele considerou "inaceitável que jornalistas continuem sendo assassinados, ano a ano, e os criminosos continuem quase sempre livres".

A meta das ONGs é que sejam criadas normas internacionais a serem compulsoriamente adotadas por todos os países - como foi feito, por exemplo, na defesa dos direitos humanos. Entre elas, fortalecer as garantias de repórteres em serviço e tornar mais rápida a Justiça no julgamento dos crimes ligados à busca de informação.

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