Número de mortes após tufão na China gera dúvidas

A passagem do tufão "Bilis" pelo sudeste chinês, que já deixou ao menos 518 mortos, voltou a gerar dúvidas neste sábado sobre a falta de transparência dos governos locais. Desta vez, o centro da polêmica ocorreu na província de Hunan, cujo governo confirmou na sexta-feira 254 mortes, além das que haviam sido registradas no dia anterior.Segundo a administração da província, o aumento do número ocorreu depois que o tufão perdeu sua força, o que teria possibilitado a obtenção de dados em regiões remotas, onde transporte e comunicações tinham sido cortados. Alguns meios de comunicação, entretanto, denunciaram a ocultação de dados.Uma reportagem da televisão estatal acusou as autoridades da cidade de Chengzhou, onde 197 pessoas morreram e 69 estão desaparecidas, de estarem minimizando os números. De acordo com a agência estatal Xinhua, o Ministério de Assuntos Civis se apressou em emitir um comunicado no qual adverte todos aqueles que tentam esconder dados. Segundo o comunicado, essas pessoas não escaparão de sua responsabilidade.O tufão chegou à China no último dia 14 e causou fortes chuvas. Em algumas localidades, elas foram as mais fortes em cem anos, o que causou inundações devastadoras e deslizamentos de terra. Segundo dados oficiais, entre os 518 mortos, 346 morreram em Hunan; 63, em Cantão; 43, em Fujian; e 30, em Guangxi. Além disso, mais de 200 pessoas estão desaparecidas.Cerca de 30,3 milhões de pessoas tiveram que deixar seus lares e aproximadamente 300 mil casas sofreram danos, com perdas econômicas que somam, pelo menos, US$ 2,5 bilhões.Desastres naturaisApós a passagem do "Bilis", uma nova tormenta tropical chamada Kaemi é esperada para os próximos dias. As autoridades meteorológicas acreditam que o fenômeno percorrerá o mesmo caminho do Bílis. Os desastres naturais - terremotos, tufões e inundações - na China mataram, no ano passado, 2.475 pessoas - o número mais alto dos últimos quatro anos -, além de terem deixado milhões de desabrigados. Estes fenômenos naturais pioram na estação de chuvas e na região sul, onde neste sábado um terremoto de 5,1 graus na escala Richter deixou, pelo menos, 18 mortos e 60 feridos, provocando a interrupção das telecomunicações, dos serviços ferroviários e da eletricidade na província turística de Yunnan, no sudoeste do país.Nesta época do ano, dezenas de tufões chegam ao litoral chinês. Os meteorologistas prevêem que em 2006 o número de tufões será maior devido a uma corrente quente no litoral pacífico e às altas temperaturas no planalto tibetano. Todos estes desastres naturais chegam no momento em que o governo chinês estuda um projeto de lei muito criticado sobre informações de crises e emergências. O projeto estabelece que os meios de comunicação chineses e estrangeiros podem ser multados caso revelem informações sobre a gestão de emergências sem autorização, uma medida que, segundo o governo, tem como objetivo informar adequadamente sobre os acontecimentos.

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